Produção da indústria de transformação aumentou 1,6% em outubro
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 07 (AE) - A produção da indústria de transformação e extrativa mineral no Brasil aumentou 1,6% em outubro, em comparação com setembro, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora tenha havido índices maiores neste ano, o fato de o aumento ser o terceiro consecutivo faz com que a marca seja a melhor desde setembro de 1998, quando a crise de pagamento da dívida russa provocou o início da recessão brasileira, informou o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales.
Os números da indústria em outubro confirmam a reação do setor depois da crise, na análise do IBGE. Em comparação com outubro de 1998, a produção aumentou 2,5%. A produção acumulada no ano continua negativa, com queda de 2,2% na comparação com o mesmo período no ano passado. Mas a intensidade do recuo diminuiu, de acordo com o instituto.
Para Sales, o bom desempenho das indústrias brasileiras deve continuar até fevereiro - e essa reação pode significar uma evolução do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano melhor do que a esperada. "A dinâmica da indústria bate em outros setores da economia", lembrou. "A projeção do PIB pode melhorar, e a da indústria também". Mas o economista lembrou que também tem de ser levado em conta o desempenho da indústria de construção civil, que não é incluído nos dados divulgados hoje. De janeiro a outubro, este segmento teve queda de 4,1%, informou.
Bens duráveis - A produção de bens duráveis, mais afetada pela crise russa, foi a que teve reação mais forte, aumentando em 4,2% sua produção. O nível foi o mais elevado desde outubro do ano passado. De acordo com o economista do IBGE
o resultado é um indício de boas expectativas do ramo quanto às vendas no fim de ano. Ainda assim, o segmento acumulou, neste ano, queda de 12,2% de sua atividade.
Outra contribuição importante para os índices do IBGE foi dada pelo crescimento de 2,1% da atividade de fabricação de bens intermediários - que são aproveitados por outras indústrias antes de chegarem ao consumidor. Na avaliação de Sales, o segmento foi beneficiado pelo bom desempenho da produção de bens duráveis. "O setor de bens duráveis tem encadeamento importante em toda a indústria, e tem tido crescimento há alguns meses", explicou. "Mas a manutenção deste desempenho das vendas no varejo", ressalvou o economista. A elevação da produção de petróleo e a maior quantidade de produtos do setor que foram exportados, como material siderúrgico, também beneficiaram o resultado dos produtos intermediários.
Queda pequena - A atividade industrial cresceu 2,2% de julho a outubro. Este número não leva em conta o aumento da produção do setor que já é tradicional no segundo semestre, explicou Sales. O chefe do Departamento de Indústria do IBGE calcula que, se o desempenho de novembro e dezembro ficar nos mesmos níveis de outubro, a produção industrial deverá cair 1,1% neste ano. O número é negativo, mas é melhor do que o previsto anteriormente, lembrou o economista.


