São Paulo, 23 (AE) - O resultado preliminar da produção física da indústria de alimentos surpreendeu os fabricantes no mês de março. A projeção feita pelo segmento era de um crescimento de 8% sobre o mês anterior e de, no máximo, empatar com o mesmo período do ano passado. O mês fechou com incremento de 24% sobre fevereiro e aumentou 7,9% em comparação a março do ano passado.
Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), credita o salto a vários fatores. A queda de braço entre a indústria e o varejo, provocada pela elevação cambial, provocou retração na produção física, em fevereiro, quando o índice ficou negativa 15,4% sobre o mês anterior e caiu 7,03% em comparação a idêntico período do ano passado. "A resistência do comércio em aceitar repasse de custos obrigou a indústria a reduzir a produção", afirma à Agência Estado. E completa: "Isso significa que vários negócios iniciados em fevereiro foram fechados em março".
Queda da inflação, estabilidade do dólar, superávit da balança comercial, são outros dados, que na sua opinião, foram responsáveis pelo crescimento acentuado verificado no setor de alimentos. "Os negócios voltaram a fluir rapidamente em resposta aos sinais de estabilidade", acredita Ribeiro. Tomando como base o acumulado dos últimos doze meses, o índice continua positivo 5%. "Até fevereiro a taxa era de 3,6% e a tendência daqui para frente é continuar crescendo", prevê. A Abia ainda não tem fechado quais os setores da indústria de alimentos que mais se destacaram, mas adianta que os supercongelados continua sendo o campeão de vendas.
Supermercados - As vendas nos supermercados casam com o crescimento da indústria. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontam que o setor registrou alta nas vendas de 8,60% em março deste ano na comparação com o mês anterior e 1,31% em relação a março do ano passado. "No trimestre, o aumento das vendas do setor foi 1,01% em relação ao mesmo período de 1998", afirma José Humberto Pires de Araújo, presidente da entidade.
Ele explica que o crescimento dos negócios em março era esperado porque esse mês teve 31 dias, enquanto fevereiro contou com 28 dias. Além disso, o Índice Geral de Preços utilizado para deflacionar as vendas passou de 4,44% em fevereiro para 1,98% em março.
Para o ano, a indústria de alimentos está mais otimista que o varejo. "A produção deste ano deverá ficar pelo menos 4% acima da registrada em 1998", afirma o economista. Omar Assaf, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), ao contrário, acredita que se os negócios encerrarem no mesmo patamar será um bom ano. Pires de Araújo estima aumento ao redor de 5%.
Assaf explica que o consumidor não está reduzindo o volume de compras, mas substituindo produtos por marcas mais baratas. "Os líderes continuam campeões, porém com percentual de participação de mercado em queda", afirma. E acrescenta: "A crise foi uma lição para as empresas." Setor cresceu 4,96% em 1998 A indústria de alimentos superou todas as expectativas e encerrou o ano de 1998 com crescimento na produção física de 4 96% e uma receita da ordem de US$ 73,5 bilhões ante os US$ 70,2 bilhões, registrados no ano anterior. Em meados do ano o setor projetava um aumento de, no máximo, 2,5%, chegando a refazer os cálculos para baixo, no início do segundo semestre, quando estimou resultado negativo de 0,5%.

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