Produção da indústria cai pela primeira vez desde 93
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Jô Galazi 
Rio, 12 (AE) - Pela primeira vez desde 1993, a produção da indústria brasileira caiu em relação ao ano anterior. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , a atividade do parque fabril brasileiro ficou 2,3% abaixo da registrada em 97. Em dezembro, já livre dos fatores sazonais, a indústria encolheu a produção em 2,4% ante novembro - foi a sétima queda consecutiva de um mês para o outro -, em um movimento que vai continuar e que já causou perda acumulada de 8 5% desde maio. Segundo o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales, a tendência é de declínio na produção nos primeiros seis meses deste ano.
"Só não sabemos se será uma desaceleração forte ou suave", ressalvou o técnico. Ele disse que há ainda muitas variáveis incertas, portanto não há possibilidade de se fazer estimativas de percentuais com um mínimo de consistência. Não se sabe, por exemplo, se, com a desvalorização do real a produção para exportação e para substituição de produtos que vinham sendo importados terá intensidade suficiente para contrabalançar a queda esperada no consumo, causada pelos juros altos e cortes de gastos que o governo quer aprofundar. "Desconhecemos o tamanho potencial da queda no primeiro semestre e sem isso não há como prever se em 99 a indústria crescerá ou apresentará redução", reforçou.
Conforme os dados divulgados pelo IBGE, a produção industrial caiu 3,3% no confronto com igual mês do ano precedente. Do primeiro para o segundo semestre, a piora do desempenho industrial foi generalizada. Por categorias de uso, o movimento negativo mostrou-se claramente no setor de bens de capital, que saiu de um crescimento de 5,8% no primeiro semestre
performance muito superior à da indústria em geral no período (-0,6%), para uma redução de 9% de julho a dezembro.
Somente os bens de consumo duráveis sofreram uma situação mais desfavorável no segundo semestre, com a marca de -22,5% (no ano, -20,5%). Isso se deveu, segundo o IBGE, à diminuição do rendimento médio real da população e à crescente instabilidade do mercado de trabalho. Tais fatores elevaram os índices de inadimplência, com óbvios impactos negativos sobre a demanda por bens duráveis, geralmente vendidos a crédito. Um exemplo são os automóveis, cuja produção, que já estava péssima no primeiro semestre, com redução acumulada de 14,8%, aprofundou a queda na segunda metade do ano, com variação de -35,3%. No ano
o recuo na produção da indústria automobilística situou-se em 25,1%. Para os eletrodomésticos, o período janeiro/junho foi o mais difícil, com -28,4%, ao passo que no segundo semestre registrou -23,2%. No ano, houve um encolhimento de 25,9% na produção do setor, em comparação com 1997.
O IBGE informou que, ainda por categorias de uso, os bens intermediários (insumos para a industria e assemelhados) e semiduráveis e não duráveis conseguiram se sair melhor, com quedas de, respectativamente, -0,9% e -1,2% em 98, em relação ao ano anterior. O grande destaque positivo nos dados apresentados coube à indústria extrativa mineral, com acréscimo de 12,4%, graças à atividade petrolífera.


