Rio, 10 (AE) - A polícia procura os detetives Pedro Carlos Ferreira, Carlos Macedo e Alexandre Faria, da Divisão de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil (DRE), que tiveram prisão preventiva decretada pelo juiz Flavio de Oliveira Lucas, da 4ª Vara Criminal da Justiça Federal, sob acusação de extorsão. Eles teriam se apropriado de dinheiro e de bens do traficante Marco Antônio da Silva Tavares, o Marquinho, ligado ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Macedo e Faria teriam também extorquido R$ 340 mil de Fernandinho Beira-Mar, em Ponta-Porã, no Mato Grosso do Sul, segundo dossiê entregue à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico pelo governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT).
Segundo a Delegacia de Prevenção de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, os policiais teriam ficado com quase R$ 1 milhão em uma diligência para prender Marquinho, em setembro, no sítio do traficante, em Itaguaí, no Grande Rio. A operação teria rendido dois automóveis importados - uma Mercedes-Benz e uma BMW - R$ 400 mil em dinheiro e 35 quilos de cocaína para os detetives, que podem pegar até 12 anos de detenção pelos crimes de peculato e prevaricação.
Como desculpa por não ter prendido Marquinho - apontado pela Polícia Federal como um dos maiores traficantes do Rio - os agentes alegaram que ele conseguira fugir do cerco feito a seu sítio. Lá foram apreendidos um quilo de maconha e quatro de cocaína, além de material para pesagem da droga. Um automóvel Gol também foi retido pelos agentes.
De acordo com a polícia, a extorsão foi descoberta durante a escuta feita no telefone do traficante, que foi preso por agentes federais somente no dia 30 de outubro, no município de São Mateus, no Espírito Santo, depois de cinco meses de investigação. Oito membros de sua quadrilha - incluindo seus três irmãos e sua mãe - também foram detidos.
Foram gravadas fitas de conversas telefônicas do traficante e levantadas suspeita de envolvimento de trinta policiais da ativa - entre eles civis, agentes do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) e militares - e ainda de ex-policiais, que teriam exigido dinheiro e bens do traficante em troca de sua liberdade.
Após a expedição da ordem de prisão, o advogado dos três detetives ligou para a DRE afirmando que eles iriam se apresentar à Corregedoria Geral da Polícia Civil, mas até o fim da tarde eles não haviam sido encontrados.

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