São Paulo, 20 (AE) - A Procuradoria da República já tem indícios que podem comprovar as ligações entre o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, juiz Nicolau dos Santos Neto, e o empreiteiro Fábio Monteiro de Barros Filho, dono da Incal Incorporações, contratada para executar a obra do Fórum Trabalhista. As investigações revelam que Nicolau e Barros Filho são amigos há muitos anos. Segundo a procuradoria, esse detalhe reforça a suspeita de que a Incal foi constituída exclusivamente para ser contratada pelo TRT, embora não tivesse estrutura para tocar a obra.
O contrato foi assinado em 1992. Na época, Nicolau era o presidente do tribunal. Depois, o juiz assumiu a presidência da Comissão de Obras do Fórum. Segundo a procuradoria, a Incal criou a Ikal Construtora para cumprir o contrato. A União liberou R$ 263,9 milhões para a empreiteira - pelo menos R$ 49 milhões foram remetidos para o paraíso fiscal do Panamá, segundo verificação da Receita Federal. Desde outubro, quando a Justiça decretou o bloqueio de repasses de verbas para a Ikal, a obra está abandonada.
Os procuradores Pedro Barbosa Pereira Neto, Maria Luísa Duarte e Walter Cláudius Rothenburg, que dirigem as apurações sobre suposto enriquecimento do ex-presidente do TRT , foram informados que Nicolau era amigo pessoal de Barros Filho "antes da assinatura do contrato". Segundo o relato do ex-genro de Nicolau, Marco Aurélio Gil de Oliveira, a partir do início da obra, Barros Filho passou a "frequentar assíduamente" a residência do juiz. Marco disse que os encontros eram realizados "a portas fechadas". Ele contou que as reuniões "não eram visitas de caráter pessoal, mas relativas ao Fórum Trabalhista". Marco denunciou detalhes sobre o patrimônio do juiz - apartamento de cobertura em Miami e uma mansão no Guarujá
avaliados em US$ 1,5 milhão, além de automóveis de luxo, como Mercedes Benz E 320, Porsche Targa, Lanborghini e BMW.

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