São Paulo, 07 (AE) - A Procuradoria Regional Eleitoral solicitou à Receita Federal informações sobre o Imposto de Renda de administradores regionais e outros funcionários da Prefeitura que fizeram doações de campanha para o deputado federal José Índio Ferreira do Nascimento (PPB-SP) e para o deputado estadual Conte Lopes (PPB). A procuradora Alice Kanaan desconfia que essas doações tenham ultrapassado o limite imposto pela legislação eleitoral, que é de 10% do rendimento do ano anterior
no caso das pessoas físicas.
Em vários desses casos a doação foi superior ao salário dos funcionários. A campanha de Índio foi alimentada pelos ex-administradores da Mooca (indicados por ele quando era vereador) Arlindo Afonso Alves, Luís Cesar Baltramavicius e Maurício Ferreira do Nascimento, irmão do deputado, e pelo atual administrador da Lapa, Edson Penas Batista, que doou R$ 2,7 mil.
Alves doou R$ 6 mil, o dobro de seu salário. Baltramavicius
que comandou em janeiro um batalhão de nove fiscais em vistoria num prédio de um empresário que acabara de denunciar extorsão, é hoje supervisor na Lapa. Ele doou R$ 5 mil.
O deputado estadual Conte Lopes recebeu contribuição de campanha do ex-administrador regional do Jaçanã-Tremembé Gildo Benício dos Santos, que foi o primeiro da lista de doações para o parlamentar, com R$ 4,5 mil. "Doei também 2 mil canetinhas", disse Santos, que deixou a regional em fevereiro e foi indiciado por omissão no caso dos loteamentos clandestinos na região da Serra da Cantareira. A regional é controlada pelo sobrinho de Conte, o vereador Cosme Lopes (PPB).
Índio - que fez dobradinha eleitoral com a deputada Edir Sales (PL) - explicou que, durante a campanha, normalmente surgem despesas imprevistas e os "amigos" acabam colaborando. "Em oito ou dez meses, as quantias doadas por essas pessoas às quais você se refere não representam muita coisa."

mockup