São Paulo, 27 (AE) - A Procuradoria da República abriu investigação sobre a suposta vinculação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) com a Incal Incorporações, empreiteira contratada para construir o Fórum Trabalhista de São Paulo. A obra está abandonada desde outubro e já consumiu R$ 263,9 milhões dos cofres da União. Hoje, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) encaminhou ao Ministério Público Federal uma relação de seis nomes de engenheiros e auditores do Grupo Ok - presidido por Estevão - que trabalharam para a Incal a partir de 1993, quando teve início a construção do fórum.
Para a procuradora Maria Luísa Duarte - que comanda a apuração sobre irregularidades no contrato - "essa lista engrossa a cadeia de indícios" sobre relacionamento entre o senador e o empresário Fábio Monteiro de Barros Filho, da Incal. Maria Luísa considera que não é momento para ouvir Estevão. Ela quer aguardar "novos avanços" da CPI do Judiciário que já identificou a realização de 490 telefonemas entre a Incal e o Grupo OK, entre 1994 e 1998. Também foram registradas 48 ligações do ex-presidente do TRT Nicolau dos Santos Neto - apontado como principal envolvido no desvio de verbas da obra - para a empresa de Estevão.
A procuradora vai intimar os ex-funcionários da OK para que expliquem como ocorreu a transferência para a Incal. Maria Luísa considera "intrigante" Estevão não ter recorrido à Justiça contra a decisão da Comissão de Licitação do TRT que desclassificou o Grupo OK e julgou vencedora a Incal. Estevão limitou-se a recorrer administrativamente. Esse recurso foi examinado pela própria comissão que escolheu a Incal. "Ele (Estevão) poderia anular a contratação da Incal", observou a procuradora. O senador afirmou que não tem relação com a construção do fórum. Segundo Estevão, é comum na construção civil profissionais passarem de uma obra para outra.

mockup