Procuradoria instaura inquérito contra Pitta em SP
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Rogério Panda 
São Paulo, 22 (AE) - A Procuradoria-Geral de Justiça instaurou hoje inquérito policial contra o prefeito de São Paulo Celso Pitta (PTN) para apurar denúncias de corrupção ativa. Esse é o primeiro inquérito que investiga diretamente o prefeito.
Além de Pitta, serão chamados para depor no mesmo inquérito o secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg, o secretário municipal da Saúde, Jorge Pagura, o secretário de Comunicação Social, Antenor Braido, o presidente da Câmara Municipal, Armando Mellão (PMDB) e duas empregadas que trabalhavam com Nicéa e Pitta, quando eles eram casados. Além disso, Nicéa passa a ser formalmente investigada.
Segundo o procurador de Justiça Alberto de Oliveira Andrade Neto, do Setor de Apuração de Crimes Contra Prefeitos, os depoimentos de Nicéa e de seu filho Victor foram determinantes para a abertura de inquérito policial, que foi encaminhado hoje ao desembargador Gentil Leite, segundo-vice-presidente do Tribunal de Justiça (TJ).
O TJ encaminhará amanhã (23) pedido para a Secretaria de Segurança Pública designar um delegado para presidir o caso.
Denúncia - A abertura de inquérito foi decidida ao mesmo tempo em que o prefeito prestava depoimento no Senado sobre a dívida da cidade. Ela foi pedida com base nos depoimentos de Nicéa, na semana passada, e de seu filho Victor, na tarde de ontem (21), ambos no Ministério Público Estadual. Eles afirmam que em maio do ano passado Pitta teria dado dinheiro a Armando Mellão, para que a base governista votasse contra abertura do processo de impeachment. Meinberg, Pagura e Braido teriam participado da reunião. O dinheiro teria sido usado para comprar os votos dos vereadores.
A procuradoria também quer que as duas empregadas, que na ocasião estavam servindo café para os convidados, sejam ouvidas no inquérito policial. "Ele (Victor) confirma que houve a negociação, em reunião a qual estavam presentes o prefeito e os secretários", conta o procurador Neto. "Ele confirma o fato de que quando chegou em casa houve uma reunião familiar, onde Pitta teria contado sobre o acordo."
"Ele teria, juntamente com sua irmã, Roberta, feito gestões para que Pitta não cedesse àqueles que queriam receber dinheiro para votar em seu favor."
Depoimento - A Procuradoria entregou hoje cópia do depoimento de Victor à imprensa, com 17 laudas. Nele, Victor afirma ter ouvido Flávio Maluf pedir a seu pai (Pitta) que tomasse providências para nomear de Ricardo Castelo Branco presidente da Anhembi Turismo e Eventos.
Victor sugeriu em seu depoimento que o empréstimo de R$ 800 mil de Jorge Yunes a Pitta não teria ocorrido. A negociação de fachada teria acontecido apenas para que o prefeito pudesse justificar sua renda.
Segundo Victor, não há nenhum rompimento sério entre seu pai e o ex-prefeito Maluf. Ele revelou em seu depoimento que o Gol 1.6, de cor cinza, placa XVM-5630, usado até hoje por sua segurança pessoal, foi cedido pelo PPB.
De acordo com o procurador Neto, Victor afirma que é falsa a informação de que Nicéa teria prestado serviços de consultoria de arte para Jorge Yunes. Negou que sua mãe tenha recebido dinheiro. Pitta é citado em três inquéritos: Centro de Apoio Social e Atendimento (Casa), pela emissão de selos para publicidade de construtoras; Anhembi Turismo, pela contratação de funcionários fantasmas e pelo desvio do dinheiro dos caixas do estacionamento da Anhembi.


