Salvador, 27 (AE) - Os diretores do bloco carnavalesco "A Barca", Carlos Augusto Bastos Mello e Vicente dos Anjos Filhos foram denunciados à Justiça baiana, hoje, por crime de racismo pelo promotor Lidivaldo Brito, chefe da Promotoria de Combate ao Racismo da Bahia. É o primeiro caso de discriminação racial envolvendo blocos de carnaval que chega à Justiça, embora haja várias denúncias semelhantes. A Promotoria investiga outros dois casos, envolvendo os blocos "Pinel" e "Eva".
A denúncia sobre o "A Barca" foi de Roberta Lima Macedo e Venuzemar Andrade que tentaram se associar ao bloco para brincar o último carnaval mas foram barradas por serem negras. Os diretores alegaram que não iriam "sujar o bloco" com a presença das duas. O comentário jocoso foi ouvido pela estudante Adriana Ferreira que testemunhou as agressões verbais e confirmou tudo ao procurador.
Os acusados, se forem condenados, podem pegar pena que varia de um a três anos de prisão, conforme o artigo 20 da Lei 7.716/89. O crime de racismo é inafiançavel e, em Salvador, difícil de ser assimilado pois a população é formada por 80% de negros. Os blocos acusados de racismo são os chamados de "trio", que levam para a avenida as maiores estrelas da música baiana.
Eles cobram caro pela inscrição entre R$ 300 a R$ 700,00
oferecendo segurança total durantes os desfiles. Por outro lado
o bloco afro mais tradicional de Salvador o Ilê-Ayiê, não aceita brancos entre seus associados.

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