Belém, 10 (AE) - Sete pessoas envolvidas na tentativa de venda ao governo federal, por R$ 90 milhões, de três fazendas que custaram R$ 750 mil foram denunciadas sexta-feira à Justiça Federal pela Procuradoria da República no Pará. O preço é 120 vezes maior que o originalmente pago pelas terras. Os denunciados são dois empresários, quatro servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belém, além de um assessor do Ministério de Política Fundiária.
As Fazendas São Félix, São Sebastião e São Pedro, pertencentes à empresa catarinense Teka Tecelagem Kuehnrich, seriam utilizadas na reforma agrária. A empresa devia R$ 34 milhões ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que seriam abatidos depois do fechamento do negócio. Os procuradores Felício Pontes Júnior e Ubiratan Cazetta, após investigações, descobriram que as terras pertencem à União Federal e estão localizadas dentro da Floresta Nacional de Altamira, no sudoeste paraense. As escrituras das fazendas foram obtidas no Cartório Moreira, de Altamira, também denunciado pelos procuradores. Corrupção - O empresário Frederico Kuehnrich Neto, dono da Teka, segundo os procuradores, praticou corrupção ativa e tentativa de peculato ao oferecer dinheiro para que a transação fosse acelerada. O outro empresário, Joel Amaro Gonçalves, procurador da Teka, teve depositado pela empresa em sua conta bancária R$ 1 455 milhão, conforme revelou a quebra de sigilo bancário determinada pela Justiça. O dinheiro não apareceu na declaração de renda de Gonçalves à Receita Federal em 1998. Gonçalves também foi enquadrado nos mesmos crimes de Frederico Neto, além de sonegação fiscal.
O assessor do ministro Raul Jungmann, o odontólogo Sérgio Cintra Barra, o ex-executor do Incra em Altamira Dino Barile Filho, os procuradores do órgão em Belém, João Luiz Sarmento e Edmilson Dantas, além do ex-superintendente do órgão Hermedes Teixeira, também figuram entre os denunciados. Os quatro primeiros, segundo os procuradores, também receberam dinheiro da Teka. O único que não recebeu nenhum depósito foi Teixeira.
Ele foi denunciado porque, mesmo sendo superintendente, admitiu a "influência de Cintra, Barile e Dantas e por não verificar com a devida atenção o exame de documentos que chegaram às suas mãos".

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