Procuradoria de Bonn decide investigar Kohl
Berlim, 29 (AE-AP) - A procuradoria de Bonn decidiu nesta quarta-feira (29) abrir investigação contra o ex-chanceler Helmut Kohl, acusado de malversação de fundos partidários, e comunicou o fato ao Parlamento alemão.
O ex-chanceler democrata-cristão, considerado o pai da unificação alemã, manifestou-se desapontado com a decisão judicial. "O doutor Kohl lamenta profundamente", disse um porta-voz do ex-líder alemão ao ler, para a imprensa, uma declaração dele.
O procurador de Bonn, Bernd Koenig, disse que a medida não deve ser interpretada como "ato condenatório" de Kohl: "O objetivo é esclarecer o caso e ver se cabe alguma ação punitiva." Na declaração, Kohl põe-se à "inteira disposição" da Justiça, prometendo "colaborar no que for possível".
O ex-chanceler admitiu ter criado "contas secretas" para receber doações políticas destinadas a seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), durante seus 16 anos de governo. A denúncia partiu de um ex-tesoureiro do partido, Walther Leisler Kiep, arrolado num processo por evasão fiscal. Ele não teria recolhido tributo que incidiu sobre uma comissão de US$ 500.000 paga à CDU por um comerciante de armas árabe para facilitar a venda de 36 tanques à Arábia Saudita durante a Guerra do Golfo.
Diante disso, o ex-chanceler que negara a participação de seu governo em atos de corrupção, acabou confessando a existência das contas secretas, mas negou-se categoricamente a revelar os nomes dos doadores. O dinheiro, segundo Kohl, destinava-se a financiar a campanha de políticos da CDU na ex-RDA.
A confissão, fortemente explorada pelo governo social-democrata do chanceler Gerhard Schroeder, provocou um afastamento da cúpula democrata-cristã de seu líder histórico. Os deputados do partido uniram-se aos do governo, aprovando pedidos para criar uma comissão parlamentar de inquérito, a fim de esclarecer rapidamente o caso.
O presidente do Parlamento, o social-democrata Wolfgang Thierse, recebeu a notificação da Justiça e a enviou à Comissão de Imunidades, para que se pronuncie. Tem-se como certa a permissão para iniciar o processo, porque existe consenso de que a medida é necessária para "preservar a democracia alemã".
O procurador Koenig quer iniciar os trabalhos a partir de segunda-feira. O presidente da CDU, Wolfang Schaueble, acredita numa "rápida solução" do caso.
Se for considerado culpado, o ex-chanceler corre o risco de ir fazer companhia na prisão ao ex-dirigente comunista alemão oriental Egon Krenz (responsabilizado pelo assassinato de alemães orientais que tentaram fugir pelo Muro de Berlim).





