O procurador Gláucio Araújo de Oliveira, da Procuradoria Regional do Trabalho da 9ª Região em Curitiba, garantiu ontem que estará em Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina) na segunda-feira, para apurar as denúnicas de irregularidades trabalhistas da Usina Central Paraná, produtora de açúcar e álcool. Ele disse que só deixará a cidade quando houver um acordo entre os dirigentes da usina e os sindicalistas.
O procurador foi designado para atuar no caso pela procuradora-chefe Marisa Tieman. Às 14 horas, Oliveira se reunirá na prefeitura com os sindicalistas e representantes da usina. Na pauta, estão a definição do pagamentos de salários atrasados, férias, recisões trabalhistas e o recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
‘‘A legislação trabalhista precisa ser cumprida. Vamos apresentar ainda outras denúncias que pretendemos encaminhar para o Ministério Público. O nosso interesse é que o MP determine que a usina cumpra suas obrigações trabalhistas’’, disse ontem à Folha o procurador.
Ontem, a procuradora-chefe comunicou oficialmente à usina sobre a reunião. ‘‘Se os diretores não comparecem vamos tomar as medidas judiciais cabíveis sem ouvir a empresa’’, afirmou. Oliveira disse que vem acompanhando o impasse entre a usina e os trabalhadores pela Folha. O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, Evanildo Pinto Rodrigues, também foi convocado para participar da audiência.
O padre Giancarlo Villa, pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida de Porecatu, informou que o arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, também deverá estar na cidade para tomar conhecimento das irregularidades denunciadas pelos empregados da usina.
Segundo Padre Gincarlo, se dom Albano não puder comparecer, o bispo auxiliar dom Vicente Costa irá em seu lugar. O pároco espera que a intervenção da arquidiocese agilize as negociações com a usina. ‘‘São pessoas muito sofridas que precisam de alguém que fale por elas. Não é justo que trabalhem sem pagamento’’, disse o padre.
Os trabalhadores da usina continuam paralisados, apesar de terem recebido anteontem o 13º salário. A direção da usina disponibilizou cerca de R$ 2,5 milhões para pagar 7 mil funcionários.
O líder sindical Daniel Malaquias informou que as trabalhadores foram convocados pelo comando de greve para se concentrar em frente aos portões da usina, na segunda-feira de manhã. Segundo Malaquias, os funcionários que moram em fazendas distantes estão sendo conscientizados para não retornar ao trabalho. A empresa, conforme Malaquias, garantiu que pagaria os dias parados somente se os funcionários assumissem suas funções no dia 25. (Colaborou Maranúbia Barbosa)

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