Procuradoria analisa fitas entregues por Nicéa
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Rogério Panda 
São Paulo, 30 (AE) - A Procuradoria-Geral de Justiça vai degravar ainda esta semana as oito fitas cassete que foram entregues pela ex-primeira-dama Nicéa Pitta. Elas serão analisadas por peritos do Ministério Público Estadual (MPE).
Em três das fitas, a vereadora Myryam Athie (PMDB) é acusada de recolher parte dos salários de funcionários que teria posto na Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab). Uma funcionária municipal, indicada pela vereadora, disse que tinha de devolver R$ 1 mil de seu salário. Segundo Nicéa declarou em seu depoimento, o dinheiro seria usado na campanha eleitoral da parlamentar.
De acordo com Nicéa, o vereador Vicente Viscome, que teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal e está preso, também teria ligado para ela da cadeia, denunciando a cobrança de propina no Cemitério Quarta Parada, na zona leste da capital.
Nicéa disse que os funcionários faziam covas menores e cobravam R$ 300,00 dos parentes dos mortos para aumentá-las. A ex-primeira-dama afirmou que vereadores seriam beneficiados com o esquema de propina.
Empresa - Além disso, o promotor José Carlos Blat, anunciou que já está investigando a denúncia de que a empresa de segurança Grupo Souza Guimarães, do empresário Alex Bortoletti, que prestou serviço por 37 dias para Plano de Atendimento a Saúde (PAS), teria sido retirada em favorecimento de uma outra empresa. O empresário aparece em uma das fitas entregues por Nicéa e teria denúncias de corrupção na Prefeitura.
Em Brasília, os deputados da CPI dos Medicamentos ouviram a fita supostamente gravada por Nicéa e Bortoletti, mas as informações não atenderam às expectativas dos membros da comissão.
Segundo o promotor Blat, o empresário foi ouvido pelo Ministério Público Estadual ontem (29) apenas informalmente. "Posteriormente, ele será ouvido para colhermos mais provas", disse Blat.
Durante o depoimento da ex-primeira-dama, Blat e o promotor Roberto Porto foram até o escritório de Alex Bortoletti, na Penha, zona leste. Sou uma vítima, minha empresa tinha um contrato com o Plano de Atendimento à Saúde (PAS), mas fomos retirados irregularmente", afirmou Bortoletti.


