Procuradores podem pedir expedição de carta no caso TRT-SP
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sexta-feira, 07 de abril de 2000
Por Fausto Macedo 
São Paulo, 08 (AE) - A Procuradoria da República, em São Paulo, poderá requisitar à Justiça Federal a expedição de carta para autoridades dos Estados Unidos com o objetivo de obter cópias dos depoimentos dos empresários brasileiros Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz, presos há 10 dias, em Miami
sob acusação de lavagem de dinheiro.
Os termos da requisição começarão a ser estudados, esta semana, por procuradores empenhados na investigação sobre desvio de R$ 169,3 milhões das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo (TRT).
O detalhe que provoca dúvida entre os procuradores é se José Maria seria irmão do empreiteiro José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz, um dos proprietários da Construtora Ikal, responsável pela construção do fórum. José Eduardo e seu sócio, Fábio Monteiro de Barros, estão foragidos desde 28 de fevereiro, quando o juiz Casem Mazloum, da 1.ª Vara Criminal Federal, decretou suas prisões em ação sobre remessa ilegal de US$ 3,29 milhões para os Estados Unidos.
A operação envolveu uma empresa situada em Miami, a Manaus Trading Corporation, e a financeira International Real Estate Investments Company, estabelecida oficialmente no Panamá. Os procuradores estão convencidos do envolvimento do juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Levantamento promovido pelo Banco Central e pela Receita Federal revela que Nicolau enviou US$ 12 milhões para aplicações em contas na Suíça, nas Ilhas Cayman e em Miami.
Sobre eventual relacionamento de Nicolau com os empresários brasileiros presos em Miami, os procuradores preferem agir, por enquanto, com cautela. Antes de adotar eventuais providências, eles pretendem solicitar às autoridades norte-americanas documentos referentes à captura de Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz, detidos sob acusação formal de terem movimentado, ilegalmente, a quantia de US$ 500 mil, durante dois meses, no fim de 1998.
Um dos diretores da Telemarketing Financial Corporation, situada em Miami, é José Maria Ferraz. José Eduardo Ferraz seria sócio dessa empresa. Para os procuradores que apuram o sumiço de quase R$ 170 milhões do Fórum Trabalhista, os empreiteiros da Construtora Ikal teriam promovido a abertura de empresas de fachada nos Estados Unidos para facilitar a lavagem dos recursos desviados.
Negócios imobiliários e transações financeiras efetuados pelo juiz Nicolau e pelos donos da Ikal, em Miami, já estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal, desde 1997.


