Ilha de Imrali, Turquia, 08 (AE-AP) - Ignorando as promessas de paz feitas por Abdullah Ocalan, promotores turcos pediram hoje (08) a pena de morte para o líder curdo, apesar também das ameaças de que sua execução poderá provocar a escalada da violência separatista.
"Com o objetivo de estabelecer um Estado independente curdo no território turco, Ocalan formou e liderou a gangue armada, que causou milhares de ataques terroristas, matou impiedosamente dezenas de milhares de pessoas e deixou tantas outras mutiladas ", afirmou o promotor Cevdet Volkan em seus argumentos finais no julgamento de Ocalan por traição.
Segundo Volkan, Ocalan teria admitido sua responsabilidade em todas as ações terroristas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK)
Entretanto, durante seu julgamento, que está sendo realizado na prisão insular de Imrali, Ocalan negou a responsabilidade por alguns dos mais cruéis atos terroristas atribuídos ao PKK, como o massacre de 33 soldados turcos na província de Bingol, em 1993
e o assassinato do primeiro-ministro sueco Olof Palme, em 1986.
Embora o PKK tenha alertado para o fato de que a morte de Ocalan vai representar "um suicídio para o Estado turco", é esperado que o líder curdo seja condenado à forca. Caso a pena seja endossada pelo Parlamento, Ocalan seria a primeira pessoa executada no país desde 1984.
Durante todo o julgamento, a guerrilha organizou ataques esporádicos em algumas regiões da Turquia. Segundo informou hoje a agência de notícias Anatólia, tropas turcas mataram sete rebeldes em conflitos na província de Siirt, no sudeste do país. Não estava claro quando os enfrentamentos ocorreram
Hoje, o tribunal suspendeu por 15 dias o julgamento, a fim de dar tempo aos advogados de Ocalan para preparar sua defesa final. O veredicto deve ser anunciado até o fim do mês.

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