Rio, 07 (AE) - Procuradores da República no Rio encarregados de casos que podem complicar a vida de amigos do governo argumentam que as posições defendidas pela subprocuradora-geral da Repúblicda, Delza Curvello Rocha, vão de encontro a decisões tomadas pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF), instância máxima da instituição, da qual ela é integrante. "As opiniões dela não encontram respaldo nem na base, nem na cúpula do Ministério Público Federal", apontou o procurador Rogério Nascimento.
Ele é um dos encarregados do inquérito civil público que apura se houve favorecimento no leilão de privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás). Esse tipo de inquérito é a parte central da discórdia entre Delza e um grupo de procuradores do Rio. Para a subprocuradora, o inquérito civil público para apurar atos de improbidade administrativa é um instrumento que pode se tornar uma versão moderna da Comissão Geral de Investigação (CGI) do regime militar.
"Os inquéritos civis não são atos praticados por garotos pouco reflexivos, fazendo coisas originais, mas têm sido repetidamente reconhecidos como válidos pelo conselho, que reafirma em várias decisões o poder do Ministério Público de investigação direta dos fatos", argumentou Nascimento. O conselho é composto pelo procurador-geral e nove subprocuradores
eleitos de forma proporcional pelos pares e por procuradores. Hoje, há eleições para duas novas vagas. Nos bastidores, está em curso a disputa pelo cargo maior, a Procuradoria-Geral, ocupada pelo procurador Geraldo Brindeiro. Delza, aliada de Brindeiro, é um dos nomes que vêm surgindo como possível sucessora.
A subprocuradora, porém, não tem o apoio da nova geração de procuradores. Originária de uma era em que o Ministério Público tinha também a função de advogado da União, Delza não vê com bons olhos as investigações promovidas por procuradores da República em relação a atos do governo. "As posições da subprocuradora não combinam mais com o novo papel constitucional do Ministério Público Federal", avaliou a procuradora Silvana Batini, que acompanha o inquérito criminal sobre o grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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