Brasília, 08 (AE) - Procuradores da República temem que boa parte dos 28 presos em Brasília, entre os quais o ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), seja libertada antes de o Ministério Público (MP) ter conseguido reunir um número suficiente de testemunhas para consolidar as denúncias de envolvimento da quadrilha com o tráfico de drogas e grupos de extermínio no Acre. O MP responsabiliza o Ministério da Justiça pela lentidão em destacar uma força-tarefa comandada pela Polícia Federal (PF) para reforçar as investigações no Acre e em Brasília.
Até agora, nenhum delegado da PF foi designado em Brasília para ouvir os 28 presos desde o dia 18 na capital, em divisões das Polícias Civil e Militar.
"Se o Ministério da Justiça não passar a agir com urgência, é possível que muitos dos presos, inclusive o Hildebrando, sejam soltos em breve", disse o procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza, um dos encarregados das investigações do caso. Segundo ele, é preciso "vontade política" do ministro da Justiça, José Carlos Dias, para que as apurações do grupo comandado por Pascoal sejam aceleradas.
Souza, que assessora a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara, disse que somente há sete dias foi mandado um delegado da PF para o Acre a fim de dar andamento aos trabalhos iniciados pela comissão em Brasília. Hoje, mais um delegado viajou ao Acre, mas, até agora, nenhum foi designado para acompanhar os trabalhos do MP em Brasília.
Ele afirmou que diversas testemunhas "vitais" para o caso não estão sob proteção policial, o que tem dificultado os trabalhos. "O Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Proteção a Testemunhas, precisa dar segurança para que as pessoas tenham segurança federal para testemunhar contra os acusados de envolvimento do grupo com o narcotráfico; o procurador disse que já há elementos suficientes para que o MP federal denuncie na próxima semana Hildebrando e alguns de seus colegas por sonegação fiscal e fraude contra o sistema financeiro; mas estamos preocupados com o número insuficiente de investigadores para desbaratar o esquema do crime organizado com braços no tráfico de drogas", declarou Souza.
Para tentar evitar que o ex-deputado saia da prisão - ele ocupa uma cela no Batalhão de Operações Especiais (Bope) em Brasília -, os três procuradores que trabalham no caso vão propor, na ação a ser protocolada na próxima semana, a transformação do regime de prisão temporária em preventiva dos envolvidos no caso. Os 28 acusados foram presos depois que a Justiça determinou a prisão temporária com prazo de 30 dias prorrogáveis apenas por período idêntico.
"Se a força-tarefa comandada pela PF não for designada, não conseguiremos acabar, ou pelo menos reduzir, com a força do esquadrão da morte no Acre", declarou Souza. "Isso não vai acontecer sem a vontade política do Ministério da Justiça", completou. Ele disse que é necessário mais um delegado atuando no Acre e dois em Brasília. Procurado pela reportagem, o ministro não foi localizado para comentar o assunto.
Os integrantes da CPI estão preocupados com a possibilidade de ter de interromper os trabalhos de investigação nos próximos dias por causa da decisão do presidente de Câmara, Michel Temer (PMDB), de não prorrogar de novembro para março o prazo da comissão. Temer e os deputados da CPI haviam acertado a ampliação dos trabalhos, mas foram informados pela presidência da Câmara de que a data do fim da comissão - dia 8 - foi confirmada. Somente com um acerto de líderes é que a CPI poderá ter os trabalhos prorrogados.
Parlamentares da CPI acreditam que há uma pressão política para que a comissão termine em breve e avaliam que há interesses de políticos do Maranhão para interromper as apurações do assunto. Os deputados querem o envio de uma força-tarefa da PF para investigar o envolvimento do deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão do empresário Paulo César Farias, o PC Farias, Hildebrando e o deputado maranhense José Gerardo com o roubo de cargas e narcotráfico no Maranhão.

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