Procuradora da República diz que MPF não tem desavenças com Abin e PF
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 02 (AE) - A procuradora da República Silvana Batini
que acompanha o inquérito do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), afirmou hoje que o Ministério Público Federal (MPF) não tem indisposição com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nem com a Polícia Federal (PF). O MPF pretende ficar longe da briga entre a Abin e a PF, admitida ontem (01) pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros.
De acordo com Silvana, é por determinação constitucional que o trabalho do MPF é feito com a PF. "Não podemos é nos furtar de investigar todas as possibilidades", afirmou ela.
Dentro da PF, existe a convicção de que o grampo foi obra de agentes da Abin. No entanto, não existem indícios até agora que comprovem a autoria do crime no inquérito. "Só faremos a denúncia se houver provas", advertiu Silvana. Hoje, o delegado federal Rubens Grandini, encarregado do inquérito, reuniu-se com os procuradores responsáveis pelo caso. Ele entregou cópias de parte das cerca de 60 fitas gravadas na escuta telefônica autorizada pela Justiça nos celulares de três suspeitos - o agente da Abin Temílson Antonio Barreto de Resende
o "Telmo", o detetive particular Adilson Alcântara de Matos e o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha.
Os procuradores, porém, não quiseram adiantar o conteúdo das fitas. "Ainda não ouvimos tudo e as transcrições não ficaram prontas", disse Silvana. "Essa parte do inquérito ainda está sob sigilo." O Ministério Público recebeu também esta semana as 46 fitas divulgadas pelo jornal "Folha de S.Paulo". O material será analisado na próxima semana. Segundo a procuradora, é necessário checar o período em que foram gravadas, se as fitas foram obtidas com o grampo das quatro linhas diretas da presidência do BNDES, como as duas que constam do inquérito, e se essas duas são uma versão editada das 46.
Silvana admitiu que o Ministério Público vai pedir a reinquirição de testemunhas e novos depoimentos, mas não quis revelar nomes. O surgimento de novas fitas, reconheceu, trouxe fôlego a um inquérito que caminhava para o arquivamento. "Temos um novo quadro, o crime assumiu uma nova forma e isso pode significar novos caminhos para as investigações", afirmou.


