Brasília, 18 (AE) - O procurador de Justiça Carlos Antônio Coelho disse, na segunda-feira, que ocorreram fatos "estranhos" envolvendo o desembargador Daniel Ferreira da Silva, corregedor-geral do Tribunal de Justiça (TJ) do Amazonas, acusado de ter assinado alvarás de soltura vendidos a traficantes. "Talvez Mister M possa explicar algumas coincidências", ironizou Coelho, referindo-se ao mágico mascarado que desvenda na televisão os truques de magia. Às 10 horas de quinta-feira (20), Ferreira poderá defender-se perante a CPI do Judiciário.
Coelho é integrante do Ministério Público do Estado do Amazonas e atua em processos criminais de 2.ª instância. Ele informou que já deu muitos pareceres contrários à concessão de liberdade de acusados e sentenciados, quando, segundo sua interpretação, não havia possibilidade jurídica para aceitar o pedido.
Ele julgou "absurdo" e "inexplicável" o fato de um alvará de soltura de um traficante ter sido expedido no dia 13 de março de 1998, quando o respectivo habeas-corpus só chegou à Justiça três dias depois. O senador Ramez Tebet (PMDB-MS), presidente da CPI, perguntou se seria possível o pedido de liberdade ter chegado às mãos de Ferreira antes do protocolo oficial no tribunal. A resposta foi negativa. Segundo Coelho, a justificativa para libertar o traficante foi a da ilegalidade da prisão. Os direitos do réu não teriam sido lidos pela autoridade policial. Mas o auto de prisão em flagrante desse processo faz clara menção a esses direitos e até cita o número do telefone da irmã do acusado, que teria sido avisada.
A reportagem tentou ouvir o desembargador, pelo telefone, mas foi informada de que ele não concederia entrevistas.

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