Agência Estado
De Belém
O procurador-geral de Justiça do Pará, Geraldo Rocha, afirmou ontem que, pessoalmente, não concorda com a continuidade do julgamento dos policiais militares acusados da morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, mas acrescentou que a decisão está nas mãos do colegiado de procuradores, que deve decidir a questão hoje à tarde.
Os 26 desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) do Pará e o juiz Ronaldo Valle, presentes ontem pela manhã na reunião extraordinária do Tribunal Pleno, que apreciava relatório do juiz sobre a sessão do Tribunal do Júri que absolveu os três oficiais da PM, foram ofendidos aos gritos de ‘‘safados’’ e ‘‘vendidos’’ pelos deputados federais Pedro Celso (PT-DF) e João Batista Araújo (PT-PA). O juiz disse que vai pedir à Câmara dos Deputados para que esta dê licença para os dois deputados serem processados.
Araújo, que chamou os desembargadores de vendidos e de os verdadeiros assassinos de Eldorado dos Carajás, foi retirado da sala de julgamento por determinação do presidente do TJ, José Alberto Soares Maia. Os ânimos acalmaram-se quando Maia resolveu receber em audiência o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que estava acompanhado de representantes da Anistia Internacional.
Os desembargadores do TJ decidiram, por unanimidade, enviar ofício ao procurador-geral de Justiça, Geraldo Rocha, solicitando que o Ministério Público reconsidere sua decisão de não mais participar das 26 sessões de julgamento dos outros 147 militares.
DepoimentoEm depoimento ao Ministério Público, Paulo Fernando Brito, que não foi sorteado para participar como jurado da sessão do Tribunal do Júri de Belém que absolveu os oficiais apontados como responsáveis pela morte dos sem-terra, acusou ontem o jurado Silvio Queiroz Mendonça de ter recebido R$ 3 mil, com promessa de ganhar outros R$ 130 mil, para proferir seu voto. O coronel Mário Pantoja, o major José Maria Oliveira e o capitão Raimundo Lameira lideraram os policiais militares que entraram em confronto com os sem-terra. As declarações de Brito foram prestadas aos promotores criminais Claudomiro Lobato e Olinda Tavares.

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