Procurador relaciona crimes com corrupção de órgãos públicos
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O procurador da República Guilherme Schelb, que atua como procurador regional dos Direitos do Cidadão em Brasília, disse ontem em Curitiba que a corrupção dos setores públicos brasileiros contribui para a organização de quadrilhas especializadas em contrabando de cigarro, fraude de combustível, sonegação de impostos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ele pôde comprovar quando foi designado para investigar a atuação de quadrilhas com a adulteração de combustível.
Na oportunidade, o procurador constatou que ordens de homicídios eram dadas por juízes, que circulavam pela cidade paulista com carros que continham chassis adulterados. Promotores ligavam para as mães de presos que integravam o Primeiro Comando da Capital (PCC) para deixar recado. Dos 18 policiais federais de São Paulo, apenas quatro eram considerados honestos. ''Fiz uma investigação criminal de emergência para pegar toda a corrupção existente no poder público. Era ela que dava apoio ao crime organizado. A administração pública é que faz com que as quadrilhas sobrevivam e sejam fortalecidas'', declarou. Schelb participou do seminário Reforma Tributária Cidadã e o Combate à Lavagem de Dinheiro, em Curitiba.
A corrupção do poder público também foi destacada pela auditora fiscal da Receita Federal em Curitiba, Clair Maria Hickmann. Ela apresentou aos parlamentares presentes uma proposta dos auditores fiscais para reduzir a corrupção, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro no Brasil. Entre as propostas, o fortalecimento de órgãos de fiscalização (Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Banco Central), criação legal de uma força tarefa para combater o crime, controle efetivo de contas de não residentes no Brasil, controle de paraísos fiscais, majoração de multas para empresas e pessoas físicas que sonegarem impostos, acordos internacionais para troca de informações.


