Procurador quer cota para negros no trabalho
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sexta-feira, 13 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O procurador do Trabalho Ricardo Tadeu da Fonseca disse ontem que estuda propor o estabelecimento de legislação que cria cotas para negros no mercado de trabalho, nos mesmos moldes que já existe para a contratação de deficientes. Ele criticou a falta de oportunidades iguais de trabalho para brancos e negros e estendeu a crítica aos sindicatos de trabalhadores que não incluem as cláusulas sociais nas pautas de reinvindicações apresentadas às empresas. ''Os sindicatos se preocupam excessivamente com as cláusulas econômicas'', disparou.
A proposta foi apresentada pelo procurador durante audiência pública realizada em Curitiba, pelo Ministério Público do Trabalho no Paraná. A audiência foi convocada para debater a discriminação das lojas de shopping centers que dificilmente contratam negros. A audiência partiu de uma denúncia feita pelo Instituto de Advocacia Racial, encaminhada à todas as procuradorias no País.
No Paraná, a Procuradoria do Trabalho não registrou nenhuma queixa específica, mas decidiu promover a audiência pública com os representantes do movimento negro para que as denúncias possam ser feitas, disse a procuradora Thereza Cristina Gosdal. Segundo a procuradora foram convidados cerca de 700 empresários com lojas em shopping centers para conscientizá-los da necessidade de evitar a discriminação racial na hora da contratação, para que as oportunidades sejam as mesmas para brancos e negros. Segundo a procuradora, o Ministério Público também estará atento com a discriminação racial nas promoções das relações de trabalho.
Para a presidente do Instituto de Pesquisa da Afrodescendência Marcilene Garcia de Souza, os shoppings centers do Paraná e do Brasil parecem ser da Europa porque não refletem a diversidade racial brasileira.
Outra alternativa proposta pelo procurador Tadeu da Fonseca, é incluir o tema da discriminação racial nas convenções e acordos coletivos. ''É papel do sindicato também discutir a inclusão de negros e deficientes, pessoas que estão lesadas no mercado de trabalho e que precisam de ações reparatórias'', justificou. A legislação já estebelece cotas de até 5% na contratação de deficientes para empresas que têm acima de 100 empregados.
A proposta do procurador foi reforçada pela vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná, Wanda Santi Cardoso, que defendeu a inclusão das minorias no mercado de trabalho. Segundo a juíza, o Judiciário começa a receber aos poucos as demandas de discriminação por raça. ''Precisamos organizar o judiciário para receber mais ações desse tipo'', afirmou.


