Procurador pede à PF que investigue morte de comerciante
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Kátia Brasil (especial para a AE) 
Manaus, 02 (AE) - O procurador da República Osório Barbosa requisitou hoje à Polícia Federal abertura de inquérito para investigar a morte do comerciante Pedro Alves França Filho, de 42 anos. Ele foi assassinado por um pistoleiro ontem (01) com um tiro no ouvido. Há nove dias, sua mulher, Maria de Lourdes Pereira França depôs na Polícia Federal sobre um suposto esquema de venda de alvarás de soltura para beneficiar narcotraficantes. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) investiga a participação da advogado Maria José Rodrigues de Vasconcelos Menescal e do desembargador Daniel Ferreira da Silva no esquema. Segundo o depoimento de Maria de Lourdes ao STJ, a advogada cobrou R$ 70 mil pelo alvará para liberar França, que estava preso por homicídio na Penitenciária Raimundo Vidal Pessoa. Trinta mil reais teriam sido dados ao desembargador.
"França deveria depor no processo aberto pelo STJ", justificou o procurador Osório Barbosa. "Da leitura do depoimento de Maria de Lourdes conclui-se que era necessário ouvir França porque ele tinha informações importantes", ressaltou Barbosa, que já esteve na CPI do Judiciário depondo sobre o esquema de alvarás, que beneficiou só no ano passado 15 pessoas, sendo 14 presos por narcotráfico.
No depoimento, Maria de Lourdes França disse que negociou primeiro a compra do alvará com a funcionária do TJ Albaniza Waugham. "Ela disse que tinha intimidade com o desembargador e seu filho, Alexandre Adroaldo da Silva; pagamos a ela, mas o França continuou preso." Maria disse que chegou a contratar outro advogado, que não era recebido pelo desembargador quando entrou com pedido de habeas-corpus. Depois de muita negociação - e de um novo pagamento - França foi solto, segundo o depoimento de Maria. "Vendemos uma casa e um açougue em Rondônia e pedimos o restante a amigos para pagar o alvará", disse ela.
Pagamento - A entrega do dinheiro foi feita na penitenciária. "Entreguei R$ 12 mil em dinheiro e o França entregou um cheque de R$ 30 mil."


