Procurador não acredita em fraude no processo de cobrança de precatório
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 14 (AE) - O procurador Alberto de Andrade Neto, responsável pela apuração de crimes cometidos por prefeitos, afirmou, hoje, não acreditar na suposta fraude da assinatura de Kattya Gardino, funcionária da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos, no processo de cobrança de um precatório municipal. Káttya depôs hoje, na sede do Ministério Público. Ontem, o advogado José Maria Pimentel de Assis Moura entregou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, na Câmara Municipal, laudo pericial que afirma ser falsa a assinatura de Kattya, na página 420 do processo em que o prefeito Celso Pitta determinava a cobrança de R$ 56,6 milhões referentes à desapropriação de uma área municipal para a construção do Parque Villa-Lobos.
Kattya reconheceu como sua a assinatura apontada como falsa pelo perito contratado pelo advogado, que comparou a assinatura da funcionária na página 420 com a de outras que ela apôs no mesmo processo. "É difícil se basear num laudo que compara duas rubricas de cópias xerox sem colher a assinatura do próprio punho da pessoa", disse Andrade Neto. Para o procurador
para que ocorresse a fraude seria necessário que o restante do processo também tivesse sido fraudado, a partir da página 420. Isso porque as demais páginas seguem numeração e datas de acordo com esta. Apesar disso, Andrade Neto requisitou perícia nos documentos, para conferir a autenticidade das assinaturas.
Segunda-feira, todo o material será enviado ao Instituto de Criminalística de São Paulo, que elaborará laudo oficial sobre o caso. Além da rubrica de Kattya, o laudo apresentado por Moura contesta também a autenticidade da assinatura do próprio prefeito Celso Pitta no documento em que ele determina ao secretário dos Negócios Jurídicos, Edvaldo Brito, a cobrança da dívida do Estado. A questão motivou o primeiro pedido de impeachment do prefeito.


