Brasília, 09 (AE) - O procurador-geral da Justiça Militar, Kleber de Carvalho Coêlho, pediu ao general-de-divisão Sérgio Ernesto Alves Conforto que ouça mais pessoas no inquérito aberto para apurar o atentado no Riocentro, ocorrido em abril de 1981, na cidade do Rio de Janeiro. No atentado, um sargento morreu e um capitão do Exército teve ferimentos graves. O procurador Coêlho não quis revelar a identidade das pessoas que deverão ser ouvidas.
Em um despacho de três páginas, Coêlho lembra que os responsáveis pelo inquérito tiveram apenas 80 dias para "tentarem desenterrar o que a prevaricação, a condescendência criminosa e os interesses inconfessáveis tiveram 18 anos para ocultar e fantasiar". O procurador considera que no período de 18 anos, que corresponde a uma geração, provas já se desfizeram, pessoas que poderiam prestar informações já morreram, o que torna mais difícil a busca da verdade. "Entretanto, quando se busca um valor maior, qual seja, de o Estado prestar satisfação à Nação, não custa continuar a tentar", afirmou .
A investigação sobre o atentado no Riocentro foi reaberta depois que o presidente do Superior Tribunal Militar (STM), tenente brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista, aceitou o pedido feito por Coêlho e remeteu ao procurador o inquérito que tinha sido arquivado sobre a explosão da bomba.
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados também requisitou a reabertura das investigações. Em nota oficial divulgada no início do ano, a comissão informou que "o inquérito daquela época configurou-se como uma farsa, destinada a acobertar os responsáveis pelo mais grave atentado na história da política brasileira, pois representou risco de vida para 9 mil pessoas que se encontravam no pavilhão do Riocentro para um show musical".

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