Jerusalém, 27 (AE-AP) - O procurador-geral Elyakim Rubinstein determinou hoje (27) a abertura de uma investigação policial contra a agremiação do primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, por irregularidades no financiamento da campanha eleitoral que o levou ao poder, num escândalo que pode prejudicar os planos do dirigente trabalhista de acertar a paz com os vizinhos árabes até o fim do ano.
A investigação foi aberta com base nas recomendações de um relatório do auditor público Eliezer Goldberg, que critica duramente Barak e menciona sua aliança política, chamada Um Israel (a qual inclui o Partido Trabalhista), como um dos principais violadores das leis de arrecadação de fundos de campanha.
Goldberg impôs uma multa de US$ 3,2 milhões à agremiação, quase três vezes o total que ela teria arrecadado ilegalmente.
A oposição direitista, contrária à política de paz do governo, reagiu acusando Barak de ter "comprado o poder" e lançando chamados para que o próprio primeiro-ministro seja alvo de um inquérito criminal.
Segundo o relatório, o Um Israel tentou burlar os limites de gastos eleitorais impostos aos partidos canalizando dinheiro para a campanha por meio de chamadas "organização sem fins lucrativos", criadas para apoiar Barak - tais como "Esperança para Israel", "Trabalho Honrado" ou "Barak para Primeiro-Ministro".
Em alguns casos, os contribuintes externos aparentemente não sabiam onde o dinheiro ia parar. O fundo Camilla foi estabelecido pelo milionário suíço Oktav Buettner para aliviar a pobreza e promover a educação em Israel. Em vez disso, um dos alegados beneficiários das doações de Buettner foi a Associação para o Progresso dos Motoristas de Táxi, que imprimiu adesivos pró-Barak.
Ao entregar seu relatório ao parlamento, o auditor público disse que as práticas de financiamento da aliança de Barak tinham "pisado na lei", e considerou a questão "grave". Ele disse no relatório que Barak deveria saber sobre a suposta atividade ilegal.
Mas o primeiro-ministro insistiu que desconhecia qualquer irregularidade.
"Eu não sabia sobre esses grupos", afirmou ele numa entrevista coletiva. "Eu não estava envolvido em levantamento de fundos".
Barak reclamou que as leis de financiamento de campanhas não são claras, e disse que seu partido pode apelar da multa na Suprema Corte.

mockup