Rio, 26 (AE) - O procurador da República Davy Lincoln, que trabalha no inquérito que apura o favorecimento pelo Banco Central (BC) dos Bancos Marka e FonteCindam, disse hoje que o ex-presidente do BC Francisco Lopes "perdeu uma grande oportunidade de se defender, quando se recusou a falar na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos do Senado".
Para ele, essa atitude "só vem confirmar as suspeitas de que o Ministério Público está no caminho certo". Lincoln informou que a atitude de Lopes e sua prisão não interferem no inquérito no qual ele e os procuradores Bruno Caiado, Raquel Branquinho e Artur Gueiros estão trabalhando. "Para nós, é indiferente ele estar preso ou não, porque nossas suspeitas vão se concretizar com a perícia dos documentos apreendidos", disse. Lincoln, no entanto, demonstrou surpresa porque acreditava que Lopes "fosse abrir o verbo". Um dos delegados que trabalha no inquérito aberto na Polícia Federal (PF) confirmou que a prisão do ex-presidente do BC não afeta as investigações, mas "causa um embaraço".
Para o procurador, o silêncio do ex-presidente do BC não é uma confissão de culpa, pois ele reconhece que a própria Constituição dá esse direito ao acusado ou à testemunha. Ele achava que o depoimento demoraria várias horas e, por isso, nem sequer assistiu ao que se passou em Brasília pela televisão. No momento da CPI, Lincoln estava na prefeitura do Rio, resolvendo uma questão particular.
Outra fonte do Ministério Público disse que os advogados de Lopes, ao decidirem que ele não deveria assinar o termo de compromisso, cometeram um "brutal erro estratégico". Para esta fonte, se Lopes não assinou o documento porque considerou-se réu
houve um erro de avaliação de seus defensores, porque na CPI não existem réus, somente testemunhas. "A CPI é uma investigação, cujo produto final será remetido ao Ministério Público, que decidirá ou não pela formação de um processo", lembrou.
O defensor público Paulo Ramalho, advogado do ator Guilherme de Pádua no processo pela morte da atriz Daniela Perez
considerou a decisão dos advogados uma estratégia para evitar maiores problemas no processo judicial. "Do ponto de vista ético, não há dúvida que a situação dele piorou, mas ele preferiu se desgastar com a opinião pública do que arranjar problemas mais graves para o processo judicial que certamente virá", analisou.

mockup