FORTALEZA - O Procurador Geral de Justiça do Ceará, Nicéforo Fernandes, que coordena a Comissão Especial formada por promotores, advogados e comandante da Policia Militar e Secretario de Segurança, confessou-se ontem bastante ‘‘decepcionado e envergonhado com as informações e as provas que chegam a toda hora do envolvimento de policiais civis e militares com assaltos, sequestros, extorsões, tráfico de drogas e até assassinatos’’. ‘‘Já temos provas e dados suficientes para que sejam encaminhados à Procuradoria Geral do Estado pedidos de expulsão e afastamento de policiais civis e militares’’, disse.
Numa rápida entrevista, já que há um pacto entre os integrantes da comissão de não comentar nada sobre as investigações, estratégias e depoimentos que estão sendo colhidos, principalmente para a imprensa, Fernandes anunciou que entregará ao governador Tasso Jereissati, na segunda-feira, um relatório parcial dos trabalhos da comissão, com um resumo das atividades durante estes últimos 25 dias, quando foram adotadas uma série de procedimentos, diligências e tomados depoimentos de 19 pessoas. ‘‘De uma coisa estou certo, a sociedade não merece o que está sendo apurado pela comissão. Já temos provas concretas sobre a maioria dos casos investigados e não podemos mais segurar essas informações por mais tempo’’, disse Fernandes.
Ele anunciou, ainda, que encaminhará à Justiça, apoiado numa ‘‘bem fundamentada’’ exposição de motivos, um pedido para a quebra do sigilo bancário, telefônico, fiscal e patrimonial de alguns dos policiais envolvidos. Fernandes não disse quais os policiais que seriam atingidos por essa medida, mas esclareceu que ‘‘existem casos de policiais que ganham R$ 600,00 por mês, mas que tem carros e apartamentos de luxo, casas de praia e fazendas’’.
Toda a verdade sobre esses maus policiais será apresentada, custe o que custar, prometeu Fernandes ao sustentar que ‘‘é preciso a adoção imediata e decisiva para eliminar esse cancro’’, não bastando apenas ‘‘colocá-los para fora do serviço público, mas puni-los exemplarmente’’. Já o ex-delegado geral, Quintino Farias justificou a crise por que passa a polícia do Ceará afirmando que ‘‘falta preparação, treinamento e reciclagem de pessoal, além de viaturas e equipamentos’’.

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