Rio, 19 (AE) - O coordenador criminal do Ministério Público Federal do Rio, Maurício Manso, afirmou que a investigação conduzida pelos procuradores da República incomodou o que chamou de "elites econômicas" do País. "Querem minar essa operação"
disse. "Tudo ia bem até a gente mexer com o Francisco Lopes, o que deixou as elites econômicas alvoroçadas." Ele disse que pela primeira vez num caso de fraude fiscal foi feita uma busca e apreensão domiciliar - e isso, segundo o procurador, foi o que desencadeou a polêmica.
Manso contou que, na sexta-feira à noite, recebeu um telefonema do superintendente da Polícia Federal no Rio, Paulo Roberto Ornellas: ele tinha recebido do diretor-geral da PF, Wantuil Brasil Jacine, a informação de que a operação havia sido irregular e que o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, tinha determinado que todos os documentos apreendidos teriam de ser devolvidos. "Mas, ao contrário, o que nos tinha sido passado pelo subprocurador-geral da República, Francisco Cruz, era que a procuradoria concordava com todas as ações feitas no Rio", disse ele.
O procurador admitiu, porém, que o Ministério Público Federal em Brasília, que coordena o inquérito já aberto sobre o caso, só soube dos oito mandados de busca e apreensão pedidos pelo MPF do Rio quando as equipes da Polícia Federal já estavam na rua. "Eles concordaram com tudo", garantiu Manso. Ele justificou a ação à parte do Ministério Público no Rio pela necessidade de garantir as provas de um futuro processo. "As provas estavam no Rio e o MPF tem o poder de colher provas, concedido pela Justiça", disse. "Foi tudo feito dentro da legalidade e da constitucionalidade."
Na quarta-feira, véspera do cumprimento dos primeiros mandados, a superintendência da PF só recebeu do Ministério Público o pedido de oito equipes para cumprir as ordens judiciais. "Não declinamos os lugares, para não vazar, mas esse é o procedimento adotado sempre que temos mandados de busca e apreensão", explicou.
Apoio - Os procuradores da República lotados no Rio receberam hoje, por escrito, manifestações de apoio de dois subprocuradores-gerais da República, Cláudio Fonteles e Wagner Gonçalves. Ambos ressaltaram a legalidade da operação na casa de Lopes. "Não há nada de ilegal, não há nada de execrável", afirmou Fonteles, argumentando que as declarações do ministro da Justiça, Renan Calheiros. e do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) contra a ação revelam "cabal desconhecimento jurídico".
Já Gonçalves aponta que não há necessidade sequer de abertura de inquérito para que o MPF conduza uma investigação. Os procuradores do Rio receberam também uma carta de apoio das associações do Ministério Público do Rio e de Santa Catarina.

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