Procurador diz que Barros tenta embaralhar opinião pública
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quinta-feira, 22 de julho de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 23 (AE) - O procurador da República Daniel Sarmento
um dos autores da ação de improbidade administrativa contra o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, disse hoje que ele está "tentando embaralhar a opinião pública", com declarações equivocadas sobre o processo no qual figura como réu.
"Eu não vejo nenhum formalismo na acusação na qual um ministro de Estado participa de uma manobra ilícita para favorecer um grupo privado, o Opportunity, na privatização do Sistema Telebrás (Telecomunicações Brasileiras)", afirmou Sarmento.
Barros deverá alegar, na defesa, que o Ministério Público Federal (MPF) foi formalista e se baseou em informações erradas para o acusar. Ao rebater as declarações do ex-ministro, Sarmento declara que Barros "está se valendo de uma manobra diversionista ao lançar uma versão para ver se cola". "Não estamos afirmando que houve uma tentativa de interferir no processo para aumentar o ágio do leilão da Tele Norte Leste."
"O ponto central é bem diferente: o ex-ministro e outros réus no processo atuaram para que a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) entrasse no consórcio do Opportunity para ajudá-lo a vencer a concorrência"
disse o procurador. No texto, Barros diz que há um "excesso de formalismo na tese dos procuradores de que, como não há uma lei específica que autorize a ação de estimular a formação do maior número possível de concorrentes, meu comportamento (....) tenha caracterizado uma ação ilegal". No processo, que tramita na 16ª Vara Federal, também são réus os ex-presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) André Lara Resende e José Pio Borges e o ex-presidente do Conselho de Administração do BB Pedro Parente, atual ministro-chefe da Casa Civil. A ação por improbidade administrativa foi proposta pelo MPF depois de inquérito civil que investigou o caso.


