Procurador descarta uso da polícia contra invasores de terras
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Angus Shaw 
Harare, 10 (AE-AP) - O procurador-geral do Zimbábue descartou hoje (10) usar a polícia para retirar invasores negros de centenas de fazendas de propriedade de brancos, alegando que isto "seria um fósforo que acenderia uma sangrenta confrontação no país".
Mais três famílias deixaram suas fazendas durante o final de semana. Foi a primeira vez desde que a ocupação das fazendas teve início em fevereiro que fazendeiros brancos mudaram para casas de amigos em cidades depois de terem sido confrontados por invasores armados com machados, clavas, lanças e revólveres.
Um fazendeiro, Alex van Leenhoff, soluçava enquanto falava a seus vizinhos que ele não tinha mais futuro no Zimbábue depois que invasores armados o forçaram a assinar um documento dando a eles sua fazenda de tabaco de 400 hectares em Karoi, 200 km a noroeste da capital Harare.
Nas 900 outras fazendas ocupadas em todo o país, invasores estão usualmente acampados pertos das construções existentes, estabelecendo uma difícil convivência com os fazendeiros e seus trabalhadores.
Num debate na Suprema Corte na capital, um advogado dos fazendeiros acusou a administração do presidente Robert Mugabe de ignorar os direitos legais dos proprietários brancos, muitos dos quais descendentes de colonizadores britânicos que detêm uma parte desproporcional de terra neste país sul-africano.
"Brancos neste país não dispõem da proteção da lei", disse o advogado Adrian de Bourbon. O advogado, que é branco, disse que a administração Mugabe abandonou o regime da lei ao não acatar ordens de tribunais para retirar os invasores.
Mas o procurador-geral Patrick Chinamasa considerou a ocupação das fazendas um luta justa contra leis injustas que permitem que algumas pessoas tenham mais terras do que outras, e comparou as invasões com a luta da vizinha áfrica do Sul contra o apartheid.


