São Paulo, 03 (AE) - O procurador da Vega Engenharia Ambiental, Carlos Aparecido Ferreira Porto, entrou em contradição hoje ao explicar como as planilhas de medição e cobrança dos serviços de varrição e coleta de lixo tramitavam na Administração Regional da Sé. Em seu depoimento à Polícia Civil, em 17 de março, ele declarou que em algumas ocasiões o administrador assinou as folhas de medição antes dele. Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fiscais, hoje, ele negou que isso ocorresse.
Antes, entretanto, diante da pergunta do vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT) sobre esses espisódios, ele confirmou. "Como o processo andava sem a sua assinatura?", questionou Cardozo. Porto titubeou. "Cometi um equívoco", disse. "E na polícia?", insistiu o parlamentar. "Eu estava muito cansado", justificou Porto. No restante do depoimento, manteve tudo o que disse à polícia. Negou ter conhecimento de qualquer esquema de cobrança de propinas ou que o lixo recolhido fosse molhado para que seu peso aumentasse.
Ele afirmou não saber o motivo de os custos com a varrição na Sé ter passado de R$ 27,67 milhões em 1997 para R$ 36,05 milhões em 1998. "O diretor-operacional Sérgio Costa é quem analisa isso", disse. Recusa - No segundo depoimento de hoje, o engenheiro da Prefeitura Adão Luiz Castanheiro Martins recusou-se a assinar o termo de compromisso, em que se comprometeria a dizer a verdade, e não prestou depoimento. A atitude, idêntica a tomada na semana passada pelo ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes na CPI que investiga o sistema financeiro no Senado, fez com que Cardozo pedisse a abertura de inquérito policial para avaliar se Martins cometeu crime. Ele não foi preso.
O advogado do engenheiro, Otávio Augusto Rossi Vieira, disse que ele não poderia ser ao mesmo tempo acusado e testemunha. Martins foi indiciado pela polícia por formação de quadrilha. Em seu depoimento à polícia, afirmou ter recebido dinheiro do ex-administrador da Sé João Bento e de tê-lo ouvido dizer que o deputado estadual Hanna Garib (suspenso do PPB), na época vereador, também recebia.

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