Brasília, 21 (AE) - O procurador da República Guilherme Schelb rebateu hoje as críticas do novo ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão, de que o Ministério Público (MP) esteja sendo "exibicionista" ao investigar o uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para viagens de ministros. Schelb disse que o inquérito incluindo Quintão entre as autoridades investigadas foi instaurado em 11 de maio, muito antes da nomeação do ex-advogado-geral da União para o cargo de ministro.
"O ministro da Defesa terá a oportunidade de explicar as viagens que fez em aviões do governo", disse o procurador. Pelos cálculos do MP, Quintão, no exercício do cargo de advogado-geral da União, fez mais de 200 viagens em jatos da FAB entre 1995 e 1998. Schelb disse que a maioria das viagens ocorreu nos fins de semana.
Segundo o procurador, o MP interpôs ações contra 12 ministros de Estado, pois os levantamentos mostraram claramente que eram viagens "particulares". Muitas eram viagens para curtas temporadas em Fernando de Noronha, frisou. Nos casos em que as viagens foram claramente para "fins particulares", disse o procurador, as ações foram interpostas automaticamente. Schelb afirmou que as investigações mostram indícios de que há viagens de Quintão que não podem ser encaixadas no que é permitido pela legislação. "Há suspeita que muitas viagens foram realmente para fins particulares, mas vamos continuar investigando", disse Schelb.
Ele avisou que será enviado um pedido ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, para que este peça explicações a Quintão sobre algumas viagens. A assessoria de Brindeiro informou que ele viajou para o Nordeste de férias e que não deverá se pronunciar sobre o assunto.
Schelb disse que está acostumado com críticas de pessoas investigadas e que não pretende criar conflito em torno do assunto. O procurador comparou as viagens em jatos públicos ao que chamou de "resquícios do colonialismo" brasileiro. "É ranço do nosso passado colonial ter carroça para carregar alguém especial."
Ele comentou que, "no mundo todo, as autoridades viajam em aviões de carreira", e que foge dos padrões de moralidade permitir que - num país como o Brasil - as autoridades públicas tenham "pilotos de luxo" e gastem o dinheiro do contribuinte.
Schelb afirmou que há mais de 30 aviões da FAB para transportar autoridades brasileiras e que isto não se justifica mais. "Quero deixar claro que nosso interesse é a causa pública."
Segundo o procurador, os ministros e autoridades do primeiro escalão fizeram mais de 10 mil viagens em jatos, particulares e a serviço, com custo muito elevado, pois, geralmente, as poltronas ficam quase todas vazias. "Não dá para dizer que nossa investigação seja exibicionismo", disse. "Isto não faz parte da nossa cultura."

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