Procurador acusa secretário de perseguição
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Depois de cinco anos nos bastidores, a guerra política travada entre a família do secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e a do procurador de Justiça, Dartagnan Cadilhe Abilhôa, finalmente veio a público ontem. Indignado com o mandado de prisão preventiva expedido anteontem contra seu filho, o policial Ricardo Abilhôa, o procurador fez ontem uma série de acusações contra Delazari e sua família. O policial está foragido.
As rusgas entre Delazari e Abilhôa tiveram início em 2000, quando a CPI do Narcotráfico passou pelo Paraná. Abilhôa tomou o depoimento de uma testemunha que garantiu que frequentemente vendia cocaína para Delazari, que ocupava o cargo de promotor lotado junto à Procuradoria-Geral de Justiça.
Abilhôa teria denunciado o fato ao então procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacóia, a quem Delazari prestava assessoria. Delazari, segundo Abilhôa, teria começado nesse momento a persegui-lo e a sua família.
De acordo com o procurador, a revanche de Delazari incluiu grampos telefônicos contra ele e perseguição ao seu filho, que é investigador da Polícia Civil. ''Em 11 anos de trabalho na Polícia, meu filho nunca foi alvo de nenhuma investigação policial. Agora, tem oito representações contra ele, fruto dessa perseguição covarde e absurda promovida pelo secretário'', comentou Abilhôa.
Dentre as investigações inclui-se uma já arquivada por suposta participação de Ricardo no sequestro e tentativa de extorsão de um segurança. Mas a investigação que culminou no pedido de prisão preventiva é referente a um suposto enriquecimento ilícito praticado por Ricardo. As investigações apontam que o patrimônio de Ricardo teria crescido desproporcionalmente ao seu salário e baseiam-se em informações, dentre outros, da ex-namorada do investigador.
Abilhôa defendeu ontem seu filho, alegando que o crescimento patrimonial devia-se a um negócio paralelo de Ricardo, que revendia carros sinistrados após o conserto, além de ter recebido uma pequena herança do avô. ''Tudo isso está declarado no Imposto de Renda. Esse pedido de prisão absurdo a três dias do Natal é só para me atingir'', afirmou.


