Brasília, 13 (AE) - O relator da CPI do Judiciário, Paulo Souto (PFL- BA), admitiu hoje a possibilidade de convidar o senador Luiz Estevão (PMDB-DF) a depor novamente, se ficar comprovado que ele movimentou os recursos recebidos pela Incal para as obras do fórum trabalhista de São Paulo, conforme autorizava a procuração concedida pela empreiteira para a Saenco
de sua propriedade. Souto disse ter sido surpreendido com a existência dessa procuração porque tanto Estevão como o dono da Incal, Fabio Monteiro de Barros Filho, negaram existir esse tipo de relacionamento, no depoimento que prestaram à comissão.
O relator vai aguardar o rastreamento desses recursos, depósitados numa agência do Banco do Brasil, para saber se a procuração foi utilizada ou não. "Os dois disseram nos depoimentos que o relacionamento empresarial que mantinham não contemplava as obras do tribunal", lembrou. "O que importa agora é saber se o dinheiro foi de uma ponta a outra." A resposta é esperada em agosto, quando a comissão receberá o mapeamento da chamada conta-mãe das obras, por meio da qual a Incal recebia o dinheiro repassado pelo Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. No período de validade da procuração, de março de 1998 a março deste ano, a Incal recebeu R$12,99 milhões do TRT.
Também o vice-presidente da CPI, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), disse que Luiz Estevão nunca fez menção a essa procuração, limitando-se a falar de outra que o autorizava a receber o recursos de dois contratos firmados pela Incal em Pernambuco. Um deles, para a construção da Adutora do Oeste, foi suspendo por causa de irregularidades. Wilson disse que as obras recomeçaram hoje, sob os cuidados do Batalhão de Engenharia do Exército. O outro contrato é para construção de 24 quilômetros da BR-101. Para o senador, a apuração será feita sem a necessidade de quebrar o sigilo bancário das empresas de seu colega, Luiz Estevão, porque o rastreamento será feito pelas contas bancárias da Incal.

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