No primeiro dia da segunda fase de vacinação contra o vírus da Gripe A (H1N1) em Londrina sobraram choro, filas e muita irritação em todas as unidades básicas de saúde (UBS) que receberam as doses direcionadas para gestantes, crianças de meses até dois anos e portadores de doenças crônicas com menos de 60 anos. Esta etapa segue até o dia 2 de abril. A grande procura se repetiu em todo o Paraná e a Secretatária Estadual de Saúde pediu calma à população.
A FOLHA percorreu alguns postos de saúde das regiões Norte, Oeste e Central e constatou que o movimento foi intenso durante toda a tarde, quando foi deflagrada a imunização no município. O saguão da UBS do Conjunto Maria Cecília (Zona Norte) ficou pequeno para tanta gente e muitos aguardaram do lado de fora. Na mesma região, o posto do Parigot de Souza só começa a vacinação hoje.
Na UBS do Jardim Leonor (Zona Oeste), a grande procura pela vacina contra o vírus H1N1 tirou a paciência dos pacientes. ''Meu filho (4 anos) está com pneumonia, passei em dois postos sem conseguir atendimento e já estou aqui há mais de duas horas'', criticou uma mãe.
Na UBS do Centro, a grande procura do dia todo só cedeu no final da tarde. Melhor para a cozinheira Gabriela Monice, que imunizou o filho Luiz Felipe Cardozo, de um ano e quatro meses. ''Vim no primeiro dia pela prevenção. Ele estuda em uma creche com muitas outras crianças e eu fico com medo, porque basta mudar o tempo que ele já fica gripado'', afirmou. Mamãe Cristiane Bortoli Koch também tratou de vacinar logo o filho Pedro Henrique Koch, de um ano e nove meses. ''Vim já por causa da proteção e também porque nos primeiros dias é sempre mais tranquilo'', observou.
A FOLHA procurou a Secretária Municipal de Saúde mas ninguém atendeu a reportagem e não houve explicação para a falta de vacina em alguns postos. Pela assessoria, a Prefeitura resumiu que a primeira fase de vacinação (com profissionais da saúde) imunizou cerca de cinco mil pessoas e mil indígenas.
Estado
O secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, comentou que o primeiro dia desta nova etapa de vacinação ocorreu sem transtornos mas levou muita gente aos postos de saúde. ''O que digo para as pessoas é que ninguém precisa se apavorar nestes primeiros dias, porque temos condições de atender todo mundo'', garantiu. Martin especulou que esta segunda onda da gripe A poderá ser mais amena do que a do ano passado, quando cerca de 1,5 milhão de pessoas teriam se contaminado, tanto por causa da vacinação quanto porque muitas pessoas que adquiriram o vírus e nem souberam também já estão imunizadas.
A meta no Estado é vacinar pelo menos 80% de um total de 1,1 milhão de pessoas. Na primeira fase, foram vacinados 85 mil profissionais de saúde (78% do total) e 9,7 mil índios (75% do total). Em toda a campanha, a expectativa é vacinar mais de cinco milhões de paranaenses. ''Se conseguirmos mais será ótimo, porque teremos uma margem de segurança maior mas vamos, pelo menos, cumprir o calendário do Ministério da Saúde'', concluiu o secretário.

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