Procura por remédios é menor
Marta Medeiros
Especial para a Folha
De Maringá
As vendas de remédios utilizados por idosos para o combate à gripe diminuíram em Maringá. Este é um do únicos termômetros para tentar avaliar os efeitos da vacinação ocorrida em abril e que atingiu pessoas acima de 65 anos de idade. Donos de farmácia arriscam uma queda de 60% nas vendas, em um período que consideram de plena atividade por causa do inverno. Eles afirmam que são as crianças e jovens que estão mantendo a saída de medicamentos.
Estatísticas oficiais devem ser divulgadas no final do ano. A 15ª Regional de Saúde pretende fazer um levantamento comparando com 98 o número de mortalidade e de internamentos causados pelas doenças das vias respiratórias em decorrência da gripe. É neste balanço específico, para a faixa etária acima de 65 anos, que os técnicos esperam encontrar números que ressaltem ou não os benefícios da vacinação.
Para o dono de farmácia Marcos Antonio Mandadori, até agora houve uma redução em 60% quando se trata de venda direta para idosos. Acho que a vacina deu certo para eles, afirma. Ele disse que julho é um mês em que as vendas aumentam de forma natural. A crise financeira influencia nas vendas, mas a diferença em relação aos idosos é nítida em comparação a 98, completa Mandadori.
A Folha apurou também que existe diferenças de informações entre as farmácias localizadas na área central e nos bairros. Nas centrais, vendedores e gerentes afirmam que as vendas estão estáveis. Para o farmacêutico Edson Maurício de Lima, que tem uma farmácia no Jardim Alvorada, maior bairro da cidade, as vendas para idosos diminuíram. Não tenho um índice exato, mas é certo que reduziu, ressalta.
Segundo ele, nos bairros o contato com os idosos é maior, o que facilita a constatação de que a campanha aparenta um resultado positivo. Alguns idosos pegaram gripe em decorrência da própria vacina, mas depois melhoraram e não tiveram até agora mais problemas, acredita Lima. Ele lembra que a soroconversão da vacina antigripal não é de 100%, o que levou muitos idosos a duvidarem do resultado.
O clínico geral Milton Gonçalves Vieira, que presta atendimento no Hospital Universitário e no Núcleo Integrado de Saúde (NIS), diz que também notou uma diminuição nos casos de idosos com complicações da gripe. Não há como dimensionar em números, mas na rotina diária dá para perceber que diminuiu.
O entregador Eurides Osvaldo Gabriel, 62 anos, que procurou o NIS por causa de uma tosse insistente, contou que não conseguiu tomar a vacina contra gripe por não ter acima de 65 anos de idade. Se a moça do posto de saúde tivesse me aplicado a vacina acho que não estaria assim tão mal, lamentou.





