Procura por entrega de armas ainda é grande
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de junho de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Apesar da prorrogação da Campanha Nacional do Desarmamento até o dia 23 de outubro, muita gente procurou ontem as delegacias da Polícia Federal (PF) do Paraná para entregar armas velhas e sem registro guardadas dentro de casa.
O funcionário público federal Vitório Wessuluvski, de 65 anos, apareceu cedo com uma espingarda velha que era do seu bisavô. Ele decidiu entregar a arma com medo que algum familiar acabasse por curiosidade fazendo uso dela. ''Tenho medo de desastres. Nunca fiz nada com ela e acabei sendo motivado a entregar pela campanha. Vou ficar sem nenhuma arma em casa para proteger a família. Mas o governo é que tem que dar proteção para nós. A gente faz nossa parte. Ele (o governo) que faça a parte dele'', argumentou Wessuluvski.
O aposentado da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Juarez Bueno Ferreira, de 63 anos, também levou algumas armas ontem na sede da PF em Curitiba. Ele estava revoltado com a ineficiência das polícias brasileiras. Mesmo assim, resolveu colaborar. ''É um problema desarmar apenas o cidadão de respeito. Ninguém desarma os bandidos que continuam entrando livremente com armas clandestinas pela fronteira do Brasil com o Paraguai'', disse Ferreira.
Ele mesmo resolveu entregar os revólveres que tinha em casa com medo de tentar reagir em caso de assalto. ''O bandido é muito esperto. Ele já vem assaltar com a arma engatilhada. Até pegar a arma, você acaba sendo morto'', disse o aposentado, que entregou também os portes que possuía.
Desde outubro do ano passado, todos os portes de armas foram anulados pela PF. De lá para cá, apenas 15 portes foram liberados em todo o Paraná, dez deles em Curitiba. ''Só liberamos em casos de extrema necessidade'', disse a delegada Priscila Rubel Fanini, chefe da Comunicação Social da PF.
Até ontem, equipes itinerantes estavam percorrendo as cidades mais distantes para recolhimento das armas sem registro para troca por valores que variam entre R$ 100 e R$ 300, dependendo do calibre e do tipo da arma. Somente ontem foram recolhidas 167 armas em Curitiba e outras 250 armas no interior do Paraná.
Desde o dia 15 de julho, quando começou a campanha nacional, a PF recolheu 17,7 mil armas (em Curitiba foram 10,2 mil; em Londrina foram 3,9 mil; em Maringá foram 2,4 mil; e em Foz do Iguaçu outras 1,5 mil). Outras 20 mil foram recolhidas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) entre janeiro e julho do ano passado.
Até agora, a PF já pagou R$ 960 mil em indenizações por entrega de armas e deverá pagar nos próximos dias outros R$ 92 mil. ''O processo demora entre 30 e 45 dias porque a arma vai para perícia, é cadastrada e somente depois é liberado o valor a ser pago'', disse a delegada.
A maior parte das armas entregues pela população é composta por revólveres e espingardas. ''Todas as nossas expectativas foram superadas'', comemorou a delegada, que acha importante a prorrogação para dar uma nova chance a quem ainda não foi entregar sua arma. A partir do dia 24 de outubro, ter uma arma sem registro se tornará crime inafiançável, com pena de detenção que varia entre um e três anos de prisão.
Até dezembro de 2006, todas as armas terão que ter o registro atualizado na sede da PF. A partir de então, elas serão acompanhadas através do Sistema Nacional de Armas.


