São Paulo, 15 (AE) - A pesquisa das taxas de juros cobradas pelos bancos em suas operações de empréstimo e cheque especial, anunciada pelo Banco Central no pacote de ontem, já está disponível para os consumidores paulistas há quatro anos. Desde agosto de 1995 o Procon pesquisa taxas de juros cobradas pelos principais bancos do Estado e divulga os resultados pela imprensa e diretamente aos consumidores que procurarem o órgão pelo telefone 3824-0446.
Essa pesquisa mostra que, de janeiro a setembro a taxa média mensal de juros no cheque especial passou de 11,11% para 10,26%, uma redução de 7,26%. No mesmo período, os juros cobrados no empréstimo pessoal caíram de 6,22% para 5,46%, uma diferença de 12,2%. Uma redução bem menor do que a promovida pelo governo na taxa básica de juros. A taxa Selic caiu de 2,18% ao mês, em janeiro, para 1,49% no mês passado, uma diferença de 31%.
A pesquisa de outubro está sendo realizada pelo Procon e deve ser divulgada na próxima semana. Esse levantamento ainda não deve refletir a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), já que a coleta geralmente é realizada perto do dia dez de cada mês.
O Procon coleta as taxas cobradas pelos 14 maiores bancos do Estado. Em setembro, elas variaram, no cheque especial
de 8,35% ao mês, na Nossa Caixa, a 11,50%, no Bradesco. No empréstimo pessoal, os juros variam de 4,20%, no Banespa, a 6 20%, no Banco Bilbao Viscaya.
A decisão do Banco Central de colocar essas informações na Internet para os clientes foi considerada positiva pela assistente da diretoria do Procon, Elisete Rodrigues Miyazaki. "Vai ser bom para nós também porque teremos acesso a bancos de outras regiões e vamos poder comparar", diz Elisete.
Ela acha que os juros estão "absurdamente elevados" atualmente, impossibilitando ao órgão orientar os consumidores para a melhor opção entre os bancos pesquisados. "Os juros caíram muito pouco e as taxas ainda são muito altas", diz Elisete.
A única recomendação do Procon, segundo ela, é para que os consumidores evitem comprar a prazo e usar o limite do cheque especial. E, sempre que possível, o consumidor deve sacar qualquer aplicação, mesmo perdendo a rentabilidade, em vez de pagar juros de crediário ou cheque especial. "A diferença é tão grande que sempre vale a pena", afirma.
Elisete acha que a divulgação dos juros cobrados pelos bancos realmente estimula a concorrência. Com o tempo, diz ela, o consumidor poderá até decidir trocar de banco se verificar que está sempre pagando taxas mais altas do que as cobradas em outras instituições. "A transparência ajuda o consumidor a exigir mais", afirma.

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