Silvana Porto
De Paranavaí
Especial para a Folha
O Procon de Paranavaí pretende fazer um levantamento dos preços praticados pelos revendedores de gás de cozinha (GLP) na cidade depois que o empresário Demerval Silvestre comprovou com uma nota ter pago R$ 10,00 pelo botijão de 13 quilos em Cruzeiro do Oeste (29 km a leste de Umuarama). Em Paranavaí, o mesmo botijão é vendido entre R$ 15,00 e R$ 17,00, que pode incluir R$ 1,00 como taxa de entrega. O coordenador do Procon, Emerson Carlos Barroso de Aguiar, solicitou aos entrepostos de venda de gás as planilhas de custo para ver se existe justificativa para o valor praticado.
Para Álvaro Sandri, distribuidor de gás em Paranavaí, o que está acontecendo em Cruzeiro do Oeste é uma ‘‘briga de mercado’’. Ele diz que em qualquer outra cidade o preço do gás é igual ao de Paranavaí e garante que a situação em Cruzeiro do Oeste não tende a durar muito. ‘‘Quem vende mais barato só aguenta segurar o preço por, no máximo, 15 dias ou um mês’’, prevê, explicando que muitos distribuidores que praticam valores menores trabalham com outros produtos, o que permite recuperar o prejuízo com o gás.
Sandri explica que compra o produto em Londrina a R$ 11,50 e vende a R$ 17,00 na distribuidora. Para entrega em casa, o valor da taxa varia conforme o bairro, mas em geral é cobrado R$ 1,00. O sócio do posto onde Silvestre comprou o gás a R$ 10,00 em Cruzeiro do Oeste, Nelson Ribas, confirma a disputa pelo mercado na cidade. ‘‘A Plenogás entrou em Umuarama, onde o gás custava R$ 16,00 e reduziu o preço até chegar a R$ 8,00 com o objetivo de conquistar o mercado’’, explica. As outras empresas tiveram que acompanhar.
Ele diz que paga R$ 9,50 pelo botijão de 13 quilos que vem de Presidente Prudente (SP) e revende a R$ 10,00. ‘‘A Plenogás está vendendo aqui a R$ 9,90’’, justifica. Para o empresário Demerval Silvestre, independente da ‘‘briga de mercado’’, o botijão de 13 quilos pode ser vendido a R$ 10,00. ‘‘Sem prejuízo para o comerciante’’, argumenta.
O coordenador do Procon afirma que antes de tomar qualquer atitude legal vai aguardar o recebimento das planilhas de custos solicitadas às revendedoras. Se ficar comprovado que as empresas estão revendendo o produto com lucro exagerado, podem ser enquadradas em crime contra a economia popular e o caso vai parar no Ministério Público.Botijão de 13 kg é vendido entre R$ 15,00 e R$ 17,00 na cidade; órgão solicitou planilha de custos a revendedores
‘‘BRIGA DE MERCADO’’Distribuidores justificam que preços mais baixos praticados em cidades da região não duram muito tempo

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