Procon fiscaliza companhias aéreas que operam em Londrina
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sábado, 29 de julho de 2017
Aline Machado Parodi <br> Reportagem Local 

Os órgãos de defesa do consumidor realizaram na sexta-feira (28) uma fiscalização nos aeroportos brasileiros para verificar se as companhias aéreas estão orientando corretamente os passageiros sobre a cobrança pela bagagem despachada.
De acordo com o diretor do Procon de Londrina, Gustavo Richa, faltam informações claras sobre os valores cobrados pelas empresas. "Vamos sentar na terça-feira (1º) e ver a melhor maneira de passar isso as companhias aéreas", disse o diretor. Segundo ele, a ação foi "para averiguar como estão as disposições em relação ao consumidor."
As empresas que operam no Aeroporto Governador José Richa colocaram placas com informações sobre os valores por bagagens nos balcões de atendimento, mas elas não são bem visíveis. Não há informações nos guichês ou totens de check-in.
Ainda há muita desinformações sobre a nova norma que permite a cobrança por mala despachada e aumento da franquia de bagagem de mão de cinco para dez quilos. Os consumidores que compraram passagens antes da regra entrar em vigor, em março deste ano, continuam com a franquia de despacho de volumes gratuita.

A designer de moda Maeli Pereira Silva, 29, veio do Rio de Janeiro para participar de um evento em Maringá. A bagagem estava inclusa na passagem dela, mas a designer não sabia da mudança das regras. "Não estava sabendo disso. Acho muito ruim, principalmente porque na volta para casa sempre voltamos com mais coisas", disse.
A advogada Isanna Zamarian, 26, não concorda com a cobrança. "Estamos pagando o mesmo preço pelas passagens e agora ainda vamos ter que pagar pelas malas. Estou indo para os Estados Unidos com a nova regra. Viajo com bebê e tem muita coisa para despachar. Não sei como vai ser", comentou.

A família da professora Vânia Aparecida Cassarotti, 35, comprou os tíquetes de viagem antecipadamente e não precisou pagar pelas quatro malas da família. "Se tivesse que pagar as malas ia pesar muito. Já pagamos caro as passagens e agora ainda tem que pagar pelas malas?", reclamou a professora.
Ela não acredita que a medida possa reduzir o valor das passagens, justificativa dada pelo governo federal para autorizar a cobrança. "Para Alta Floresta (MT) não temos muitas opções de voo. A gente fica refém", afirmou.
AFONSO PENA
O Ministério Público do Paraná participou da fiscalização no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). A fiscalização constatou que é preciso melhorar as informações sobre os valores cobrados. Os balcões de venda das companhias aéreas, os totens de check-in e as bancadas de check-in contêm folhetos informativos a respeito, mas sem clareza.
Outro problema verificado foi a falta de balanças para que os consumidores possam conferir o peso de suas bagagens antes do despacho. Os passageiros ainda têm muitas dúvidas sobre os valores cobrados pelas bagagens. Há tarifas diferenciadas de acordo com o canal de atendimento no qual se solicita o despacho da bagagem (totens de autoatendimento, internet ou balcão da companhia).
Os preços das bagagens variam entre R$ 30 e R$ 110 dependendo do número de malas, companhia aérea e modalidade de compra. A promotora de Justiça Cristina Corso Ruaro, de Curitiba, acredita que o tabelamento dos valores poderá representar uma evolução, na medida em que permitirá ao consumidor saber antecipadamente o preço a ser pago pelo despacho de bagagem.
Ela critica, entretanto, os transtornos para a acomodação das bagagens de mão, cujo peso máximo foi dobrado sem que as aeronaves fossem adaptadas para esse aumento, o que tem ocasionado a ocupação máxima dos bagageiros e outros espaços disponíveis, prejudicando muitas vezes o conforto dos viajantes.


