A Catedral Metropolitana de Londrina ficou lotada ontem pela manhã para a festa de Corpus Christi. Centenas de fiéis acompanharam a procissão do Santíssimo pelas ruas ao redor da igreja. A preparação para a festa católica, que celebra a presença de Cristo na eucaristia, começou cedo. Nas primeiras horas da manhã, os grupos de oração e reflexão, da catequese e das pastorais começaram a montagem dos tapetes de serragem e sal grosso coloridos. Eles foram uma atração à parte para quem participava da missa.
O comerciante Alexandre Machado, de 47 anos, levou a filha Júlia, de 6, para conhecer a tradição de enfeitar as ruas em Corpus Christi. Machado recordou que quando era jovem acompanhava a procissão pelas ruas centrais. "O percurso era maior, descia a Pará, e os tapetes cobriam a rua toda. Mas é muito bonito ainda. Fazia anos que não vinha na procissão", contou.
O comerciante e a mulher Flávia Oliveira de Araújo moravam em Brasília. "Lá não tínhamos o costume de ir no Corpus Christi. Essa tradição não é muito forte lá. Por isso, trouxe a minha filha para conhecer", disse Machado. A família levou pedidos de saúde e paz. "Deus quer que sigamos os seus mandamentos", afirmou Flávia.
Para o atleta e professor de jiu-jitsu Israel Silva, de 34 anos, as cores vibrantes dos tapetes são uma forma de lembrar a ressurreição de Cristo. "Jesus é o nosso ponto de equilíbrio para o dia a dia. É a nossa referência", disse Silva, que faz um trabalho social com as crianças da Catedral.
O arcebispo de Londrina, d. Orlando Brandes, ressaltou que a mensagem da data é "o amor misericordioso de Deus por nós, que marca presença em meio ao seu povo", através da eucaristia. Ele lembrou que a festa de Corpus Christi deste ano tem um significado muito grande para o Brasil. "Primeiro, porque estamos passando por essa crise de 11 milhões de desempregados e de uma situação tão insegura na nossa política. E também porque é o Ano da Santas Missões Populares e queremos continuar fazendo as visitas nas casas das pessoas como continuação dessa procissão de hoje", disse o arcebispo.

DONATIVOS
Na Paróquia Rainha dos Apóstolos, no Jardim Shangri-lá, na zona oeste, os tradicionais sal grosso e serragem deram lugar aos materiais recicláveis, cobertores, fraldas e peças de artesanato.
O trabalho por lá também começou cedo. Antes das 7 horas da manhã, os paroquianos estavam colocando o tapete por onde passou o Santíssimo. Três altares foram montados ao longo do percurso. A dona de casa Valderez Toneli Osório, de 61 anos, ajudou na montagem de um deles, em frente ao edifício onde mora, na Rua Cândido Betoni.
Os moradores arrecadaram fraldas geriátricas e cobertores, que enfeitaram o altar e depois serão doadas para entidades assistenciais. "A fé é o que nos move a acordar cedo para enfeitar tudo. Corpus Christi é a lembrança de que Jesus morreu por nós", comentou Valderez.
Os participantes da Pastoral do Dízimo e dos grupos de reflexão da paróquia começaram a preparação dos artigos que enfeitaram o tapete no fim do ano passado. Eles confeccionaram tapetes de pano com retalho, panos de prato, enfeites de porta, além de juntar tampinhas de garrafas que se transformaram no cálice da eucaristia.
A aposentada Eva Arasaki, de 62 anos, que participou pelo segundo ano da montagem dos tapetes, não se importou de acordar cedo. "Quando abri o salmo ele dizia: ‘Servir a Deus com alegria’. E venho aqui com alegria e com a certeza de realizar o trabalho de servir a Deus", comentou. A intenção do grupo é fazer um bazar com os artigos de artesanato para ajudar as entidades do bairro.

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