Curitiba - Cerca de cinco mil pessoas acompanharam, na tarde de ontem, a procissão do Senhor Morto pelas ruas do centro da Capital. A caminhada começou no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Alto da Glória, e seguiu em direção à Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, na Praça Tiradentes, onde aconteceu o beijo na cruz. Ao todo, sete paróquias foram se unindo ao grupo que era puxado por um trio elétrico e pelas imagens de Jesus Cristo e de Maria.
Neste ano, os fiéis foram convidados a carregar uma doação de alimento não perecível. As doações foram entregues na Catedral e serão encaminhadas às instituições beneficentes.
Dom Moacyr José Vitti, arcebispo de Curitiba, falou sobre o significado da Paixão de Cristo, lembrando dos problemas atuais da sociedade, como a violência, e destacando o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010, a economia a serviço da vida.
Os participantes da procissão formavam um grupo bastante heterogêneo. Entre eles, não era difícil identificar aqueles que pagavam promessa ou realizavam sacrifício a mais em nome da fé. Como o caso da aposentada Rachel Dyski, 61 anos, que há mais de dez anos faz o trajeto com os pés descalços.
''Eu tive câncer e recebi uma segunda chance de viver. Na minha família sempre foi tradição acompanhar a procissão descalço, mas isso se perdeu. Decidi retomar depois do susto'', conta.
Emocionada, ela diz que, como mãe, consegue sentir a dor da mãe de Jesus ao ver o filho morrer daquela forma. ''O encontro entre Cristo e Maria ao final sempre me toca''.
Na noite de ontem, aconteceu ainda a tradicional Encenação da Paixão de Cristo pelo Grupo Lanteri na Pedreira Paulo Leminski. Cerca de 20 mil pessoas eram aguardadas para assistir ao espetáculo que, neste ano seria narrado a partir do final da história. Outras três montagens da Paixão da Cristo foram encenadas na Capital.

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