Mensagens contra a guerra e a favor da paz no mundo marcaram ontem o Círio de Nazaré, que levou às ruas centrais de Belém (PA) cerca de 2 milhões de católicos e devotos de outras religiões. Vestidos de branco, romeiros paraenses e de várias partes do Brasil conduziram a berlinda com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelos 4,5 km do percurso do Círio, saindo da Catedral da Sé às 7 horas para chegar à praça da Basílica de Nazaré às 13h20. Com mais de seis horas de romaria, o arcebispo de Belém, dom Vicente Zico, considerou que a procissão foi uma das mais rápidas das últimas décadas.
''Rezemos para que os governantes do mundo se entendam e possam garantir a paz buscada por seus povos. Nós, aqui no Brasil, através do Círio de Nazaré, estamos demonstrando que a paz e a solidariedade são possíveis quando Deus se faz presente nos corações dos homens'', afirmou dom Zico.
O ministro da Saúde, José Serra, que assistiu ao Círio ao lado do governador paraense Almir Gabriel, não escondia a emoção: ''Manifestação como esta não tem igual no Brasil e, talvez, no mundo. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) acompanhou parte da procissão todo vestido de branco e descalço, misturando-se à multidão de fiéis. Emocionado, ele disse que todo brasileiro deveria pelo menos uma vez na vida participar do Círio de Nazaré para beneficiar-se da ''incrível energia espiritual'' que emana do povo paraense.
Mais de dez mil homens da Polícia Militar, Exército e Aeronáutica garantiram a segurança dos romeiros. O juizado da Infância e da Juventude repreendeu uma mulher de 19 anos que obrigou o filho de dois anos a caminhar com ela de joelhos para pagar uma promessa. ''Ela expôs o menino a uma situação de risco e isso é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente'', explicou o coordenador do juizado, João Imbiriba. O padre José Maria Ribeiro afirmou que o pagador de promessa não pode obrigar alguém a compartilhar uma obrigação.

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