Curitiba - O ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, de 54 anos, foi condenado a 15 anos e 9 meses de prisão na noite de sexta-feira, durante julgamento realizado na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Curitiba, pelo assassinato de Sebastião Camargo, um agricultor sem terra, em 1998.
Realizado 15 anos após a morte do agricultor, o julgamento durou pouco mais de nove horas e foi decidido por um júri composto por sete pessoas. O advogado de Prochet, Roberto Brzezinski Neto, informou que vai recorrer da decisão na semana que vem. "Entendemos que houve nulidade por cerceamento da defesa", afirmou. No início da sessão ele pediu o adiamento do julgamento em razão de três testemunhas arroladas, e consideradas imprescindíveis, não terem sido intimadas. O magistrado, entretanto, indeferiu a solicitação.
A sessão começou por volta das 13h e foi presidida pelo juiz Leonardo Bechara Stancioli. Segundo a acusação, o assassinato aconteceu no dia 7 de fevereiro de 1998, quando uma milícia despejou famílias de sem terra da Fazenda Boa Sorte, de propriedade de outro fazendeiro, chamado Teissin Tina, que já foi condenado pelo mesmo caso por homicídio simples, em novembro do ano passado. A fazenda fica localizada na cidade de Marilena, no Noroeste do Estado, e atualmente é um assentamento. O júri condenou Prochet por executar o agricultor que na época estava com 65 anos. De acordo com a acusação, pistoleiros foram contratados por fazendeiros da região. Prochet, então presidente da UDR, acompanhava a ação, e teria efetuado o disparo que vitimou Camargo.
Duas testemunhas de defesa foram ouvidas (um vigia que trabalhava na rua em que Prochet morava em Londrina e um ex-funcionário do fazendeiro). Ambos reforçaram o álibi apresentado por Prochet, de que desde a noite do dia 6 e durante todo o dia 7 de fevereiro, esteve em Londrina.
Em seguida o fazendeiro foi interrogado e frisou que não estava no local do crime pois estaria cuidando de seus três filhos. "No dia 6, por volta das 23h, depois de assistir a um jogo de basquete no ginásio Moringão, retornei para a casa com meus três filhos e na manhã seguinte fui buscar minha esposa que voltava de São Paulo", ressaltou durante a sessão. Prochet ainda reforçou que nesta época sua mulher estava com problemas de saúde e que, por isso, estava na cidade há dias.
Por outro lado, o MP reforçou que o fazendeiro teve tempo para ir até o local do crime, e que inclusive teria participado de uma reunião que discutiu a ação, durante a semana. O órgão ainda ressaltou que, na época do assassinato, a UDR "ajudava" fazendeiros a contratar seguranças armados na região para cuidar das entradas das fazendas. O tribunal estava lotado de trabalhadores sem terra de diversas regiões do Estado.

Familiares
César Ventura Camargo, de 27 anos, um dos nove filhos de Sebastião, afirmou que a família foi esfacelada após a morte do pai. Atualmente eles estão vivendo em um assentamento no município de Ramilândia, no Oeste do Estado. "Queria Justiça e isso foi feito. Não tem como trazer meu pai de volta mas pelo menos ele (Prochet) vai pagar pelo que fez", disse. Na sexta-feira, durante um dos intervalos do julgamento, os filhos de Prochet estavam confiantes em sua absolvição. "Quando a fazenda de meu pai (localizada em Querência do Norte) foi invadida ele não fez nada. Então qual a lógica dele fazer isso (cometer o assassinato) na fazenda de outra pessoa?", questionou Norman Prochet Neto.

Outros envolvidos
Em novembro do ano passado Teissin Tina foi condenado a seis anos de prisão por homicídio simples; e Osnir Sanches condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais. Em fevereiro deste ano, Augusto Barbosa da Costa, acusado de homicídio doloso, foi julgado e absolvido pelo júri. E no mês de julho, o Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou por suspeita de participação no crime o ruralista Tarcísio Barbosa de Souza, presidente da Comissão Fundiária da Federação de Agricultura do Paraná (Faep).

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