'Processo epidêmico inadmissível'
Londrina - Fátima Pacheco Jordão, socióloga e especialista em pesquisa de opinião do Instituto Patrícia Galvão cuja pesquisa, realizada em todas as regiões do País sobre a percepção da violência, contou com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e da Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha, comenta que os levantamentos deixam claro que o problema da violência contra a mulher é muito mais profundo do que prevê os instrumentos de defesa e legislação. "As agressões e homicídios devem ter uma atuação mais veemente. Os números representam um aspecto escandaloso de agressividade da nossa cultura", opinou.
De acordo com Fátima, a posição do Brasil diante de outros países mostra que as medidas iniciais já não atendem mais com tanta eficiência. Portanto, para ela, é preciso repensar urgentemente as medidas de proteção, que se apresentam insuficientes para coibir os crimes. "É um desafio em relação às leis e políticas públicas diante de um processo epidêmico de um comportamento inadmissível. Infelizmente, a mulher continua numa situação de vulnerabilidade. Ainda assim, elas não podem deixar de denunciar, se precaver e pedir ajuda." Dentre as ações, ela destaca a implantação efetiva das Casas da Mulher com, no mínimo, mais 100 estabelecimentos em todo o País. "O projeto experimental deve tornar-se real."
Nos dias 5 e 6 de dezembro, Londrina sediará debates em prol da "Mobilização pelos direitos da mulher" que têm como slogan "Quando a violência contra a mulher acaba, a vida continua". Estão previstos os encontros sobre o "Pacto Nacional e o Programa Mulher: viver sem violência", com a secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, e a "Atuação do Poder Legislativo no combate à Violência contra a Mulher", com a palestrante e deputada federal, Jô Moraes.(M.T.)





