Processo de troca foi sinal de "barberagem", diz Macedo
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 02 (AE) - O processo de substituição de Francisco Lopes por Armínio Fraga na presidência do Banco Central foi considerado "lamentável" por Roberto Macedo, economista da Universidade de São Paulo. "Foi uma barberagem enorme", disse, citando a surpresa causada pela troca apenas uma semana após a posse de Lopes. A escolha de Fraga, no entanto, é muito "bem-vinda", de acordo com Macedo.
"Estamos hoje muito melhor do que estávamos ontem", disse o economista que fazia parte da lista dos defensores de que a presidência do BC fosse ocupada por um "operador" experiente, não um teórico. Fraga seria uma indicação da "consolidação" da política de câmbio flutuante, o que descartaria surpresas futuras.
"Fraga tem notória competência e é conhecido pelos tombos que dá no mercado", afirmou Macedo, que o conheceu durante a gestão de Marcílio Marques Moreira na Fazenda. Na época, Macedo era secretário de Política Econômica e Fraga, diretor da área externa do BC. "Agora, Fraga vai precisar de munição que dependerá do Fundo Monetário Internacional (FMI) não recusar a liberação de novas "tranches" previstas no acordo", afirmou Macedo.
Sobre um possível comprometimento ético de Fraga, já que ele trabalhava com o megainvestidor George Soros, Macedo disse que "até prova em contrário Fraga é honesto". Segundo ele, "um cara bom tem de estar empregado", justificando seu trabalho com Soros. "O que precisamos é uma quarentena quando da saída do BC."


