Processo de reforma no Irã preocupa árabes
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Hamza Hendawi 
Cairo (AE-AP) - Quando os sacerdotes muçulmanos linha-dura tomaram o poder no Irã, os governos árabes da vizinhanças temeram que o sucesso do ramo radical islâmico de Teerã seria um perigoso exemplo para a região.
Vinte e um anos depois, novos ventos democráticos estão vindo do Irã e muitos dos vizinhos do país estão novamente aterrorizados. Agora, eles preocupam-se com o exemplo de uma sociedade na qual as pessoas, em vez de serem governadas por clãs políticos de longa duração e as mudanças vêm de urnas eleitorais em vez de golpes.
O movimento de reforma do Irã teve início em 1997 com a surpresa da eleição do relativamente liberal Mohammad Khatami como presidente. Ele começou a aliviar algumas das restrições sociais impostas pelo clero e a realizar uma reforma econômica.
Os aliados de Khatami conseguiram uma esmagadora vitória nas eleições parlamentares do dia 18 de fevereiro. Pela primeira vez desde a revolução, a ala linha dura perdeu o controle do parlamento.
Em contraste, a paisagem do mundo político árabe tem estado parada por décadas, apresentando monarquias com governantes absolutos ou repúblicas com presidentes autoritários e pseudodemocracias.
Farid el-Khazen, cientista político da Universidade Americana de Beirute, Líbano, prevê que os líderes árabes que vêm brincado com a idéia de promover eleições livres podem desistir da idéia depois das eleições no Irã.
"Pode isso se tornar um exemplo a ser seguido? Eu não acredito. Talvez o oposto - poderia ser, na verdade, uma lição (para os governantes árabes) para que sejam mais cautelosos e conservadores", diz ele.
John Esposito, professor de estudos islâmicos da Universidade Georgetown em Washington, lembrou a experiência da Argélia de negar impulsos eleitorais. O governo leigo cancelou as eleições de 1992 porque tudo indicava que grupos islâmicos seriam os vencedores, mas deu início a uma revolta que matou dezenas de milhares de pessoas.
"Uma pessoa poderia aprender uma lição positiva com o processo iraniano, em termos de regimes árabes. Por outro lado, se os governos árabes estiverem simplesmente preocupados com a retenção do poder, eles podem, infelizmente, retirar deste exemplo, uma lição negativa", disse Esposito.
Para as pessoas da região, preocupadas com a reforma, o Irã é um ponto de referência. "O país deu aos estados árabes da idéia de realização de mudanças de dentro para fora, tornando o sistema flexível o suficiente para absorver todos os movimentos sob o slogan da democracia", disse Labib Kamhawi, um importante analista da Jordânia.
"A decolagem da democracia no Irã já começou e nenhum observador objetivo pode duvidar de sua credibilidade", acrescentou Fahmi Howeidi, escritor egípcio moderado, que é amplamente respeitado.
Ali Ansari, professor de história política da universidade inglesa de Durham, disse que a experiência do Irã mostra que o Islã e a democracia não são incompatíveis. "Continua a ser muito, muito imperfeito, mas você deve ver isso como um processo." Tanto os reformistas como a ala linha dura enfatiza que quer que o Islã permaneça como o centro da sociedade.
Maamoun al-Hodeibi, vice-líder da Organização de Irmãos Muçulmanos do Egito, elogia o Irã por seu desenvolvido sistema político, sem golpes ou violência, e por sua constituição que é respeitada por todos.
"Estes são exemplos da experiência iraniana que nós podemos tomar como um exemplo a seguir", disse al-Hodeibi, cujo movimento procura estabelecer um regime islâmico no Egito, o mais populoso estado árabe.
Mas nem todos estão convencidos sobre o fato do Irã desistir da sua linha dura. "Nós, do mundo árabe temos tamanha fome por democracia que somos como um homem que está morrendo de fome e vai ao mercado. Ele come qualquer coisa na crença de que a comida fará bem, mas isso pode não ser verdade", diz Waheed Abdul-Maguid do Centro Egípcio Al-Ahram.


