Brasília, 01 (AE) - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, afirmou hoje que o processo de fusão das cervejarias Brahma, Antarctica e Skol não será suspenso durante as investigações da Polícia Federal sobre denúncia de suborno a conselheiros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "O Cade é uma autarquia que merece total respeito", disse o ministro. Hoje o plenário do Cade se reuniu para divulgar uma nota repudiando suposta "orquestração" para minar a credibilidade do órgão.
Dias afirmou que tomou a decisão de levar a denúncia de corrupção do caso Ambev para a Polícia Federal assim que recebeu as informações, mas lembrou que a iniciativa de denunciar foi tomada pelo Cade. A relatora do processo de fusão das cervejarias, Hebe Romano, denunciou insinuação de suborno na semana passada e a PF instaurou inquérito para investirar o caso.
O ministro da Justiça acredita que nenhum conselheiro tenha sido subornado, até porque a denúncia saiu de dentro do próprio Cade. "A linha desse governo é a transparência total", disse. "Isto está sendo apurado com toda a independência e todo o rigor." O ministro disse que não pode parar a máquina administrativa por causa de uma denúncia. "Ao contrário, tenho que azeitar a máquina para que funcione sem qualquer respingo de lama".
Nota - A nota divulgada pelo plenário do Cade fala da denúncia de tentativa de suborno de modo vago. A nota diz que na segunda semana de dezembro o advogado Airton Soares afirmou à relatora do ato de concentração das cervejarias, conselheira Hebe Romano, "de modo informal", que "supostamente estaria em curso tentativa de influenciar a decisão do Cade na matéria".
Segundo a nota, "imediatamente" a conselheira deixou claro que qualquer "elemento" que procurasse membros do Cade com tal intenção seria "sumariamente rechaçado". No mesmo dia a relatora narrou o ocorrido ao presidente do Cade, Gesner Oliveira. A nota diz ainda que a conselheira informou o ocorrido às empresas interessadas no processo e posteriormente o ministro determinou a abertura de inquérito policial.
Na nota, o plenário do Cade diz que "não surpreende o surgimento de algum tipo de orquestração na tentativa de minar, perante a opinião pública, a credibilidade desse ógão", o que "só interessa aos formadores de cartéis e demais infratores da ordem econômica".
O Cade informou que o ato de concentração das cervejarias será apreciado de forma isenta, rigorosamente técnica e serena, "repudiando qualquer atitude que vise coagir seus integrantes." A nota termina dizendo que "o Conselho reitera seu inafastável propósito de não esmorecer na luta empreendida", que é a defesa da livre concorrência.

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