Agência Estado
De Salvador
Mesmo com todo avanço tecnológico e uma verba de quase R$ 4 milhões, os engenheiros do Clube Naval do Rio de Janeiro não conseguiram concluir a tempo a réplica da nau capitânia, usada por Pedro Álvares Cabral na viagem do Descobrimento. Batizado com toda pompa, na segunda-feira, na Base Naval de Aratu, na Baía de Todos os Santos, o barco não seguiu ontem de Salvador para Porto Seguro, como estava previsto.
A nau iria liderar a frota de 40 embarcações que participará das comemorações dos 500 anos de Brasil no sábado (22). Os engenheiros alegaram, entre outras coisas, que o sistema de propulsão a vela da réplica não funcionou convenientemente nos testes feitos nos últimos dias, quando o barco foi lançado ao mar e seria arriscado fazer a viagem até Porto Seguro sem os ajustes necessários, embora a rota seja contornando a costa baiana. -
Além do problema na propulsão, o almirante Domingos Castelo Branco, que faz parte da equipe de construção, disse ser necessário colocar 18 toneladas de chumbo no lastro da embarcação para dar mais estabilidade. O chumbo foi encomendado de uma empresa paulista e estava sendo aguardado hoje em Salvador.
Os dois anos que a equipe de engenheiros navais cariocas teve de prazo para construir o barco não foram suficientes para deixá-lo em condições de navegação e a previsão é que ele só zarpe de Salvador amanhã devendo chegar a Porto Seguro na segunda-feira, depois da encenação sobre a chegada dos portugueses no Brasil – prevista para sábado. Considerado um barco infinitamente mais sofisticado, seguro e confortável do que o de Cabral, com dois motores de 285 HPs cada um, de potência, na prática a réplica mostrou-se bem mais ineficiente que as velhas e inseguras caravelas que atravessavam o Atlântico há 500 anos.
A cidade de Porto Seguro (Nordeste do Brasil), onde desembarcou o navegador Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500, voltará a receber esta semana várias caravelas procedentes de Portugal, que estão repetindo a rota do descobridor português cinco séculos depois.
Mais de 50 veleiros e réplicas de embarcações do século XVI construídas para a ocasião saíram de Portugal em oito de março, mesma data em que Cabral deixou Lisboa em 1500 para uma viagem de 10 mil quilômetros até as Índias, que levaria 46 dias.

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